Papa Leão inicia viagem de retorno à América do Sul um mês após cirurgia no transporte


Por Joshua McElwee

A BORDO DO AVIÃO PAPAL, 6 Nov (Reuters) - O papa Leão partiu nesta sexta-feira para uma ambiciosa viagem de 12 dias pela América do Sul, que deve atrair multidões de milhões de pessoas, no retorno do primeiro papa nascido nos Estados Unidos a um reduto católico onde viveu por décadas como missão.

Leão, de 71 anos, que passou por uma cirurgia de câncer de liberação no mês passado, visitará Uruguai, Argentina e Peru até 17 de novembro, em uma das viagens internacionais mais exigentes realizadas por um líder católico nas últimas décadas.

O Vaticano informou nesta semana que o papai se recuperou totalmente da cirurgia e que não estão sendo tomadas precauções especiais para a viagem, na qual Leão percorrerá cerca de 31.000 km por 10 cidades e fará 36 discursos.

O papa, que nasceu em Chicago, mas passou décadas no Peru e se tornou cidadão peruano, considera a viagem um “retorno aos lugares onde passou muito tempo e aos quais se sente intimamente ligado”, disse o porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni.

Leão disse aos peregrinos em sua audiência semanal na Praça de São Pedro, na quarta-feira, que durante a viagem espera “fortalecer a fé, renovar a esperança (e) reaender a chama da caridade”.

O papa, que partiu do aeroporto de Fiumicino, em Roma, na manhã desta sexta-feira, deve chegar ao Uruguai às 16h30. Ele permanecerá no país até domingo, visitando três cidades antes de seguir para uma visita de três dias à Argentina e seis dias ao Peru.

Leão, que tem criticado veementemente o boato da liderança global nos últimos meses, será dirigido aos governos de cada país em discursos que serão acompanhados de perto. Ele também presidirá missões ao ar livre em locais importantes, visitará uma prisão na Argentina e seguirá de presidente para comunidades andinas remotas no Peru.

No domingo, Leão fará um discurso ao presidente argentino Javier Milei, um libertário de direita considerado um aliado próximo do presidente dos EUA, Donald Trump, que criticou duramente Leão no início deste ano depois que o papa criticou a guerra no Irã.

Bruni disse que os discursos do papa durante a viagem abordaram uma série de questões que o continente enfrenta, incluindo a destruição ambiental, o tráfico de armas e a instabilidade política regional.

“O papa traz uma mensagem de comunhão e unidade, um convite para que nos reconheçamos mutuamente... como membros de uma mesma família”, disse ele.

O falecido papai Francisco, que foi antecessor de Leão e era argentino, visitou o Peru em 2018, mas nunca mais voltou para casa. Nenhum papa visitou a Argentina ou o Uruguai desde o final da década de 1980.

(Reportagem adicional de Lucinda Elliott em Montevidéu, Cassandra Garrison na Cidade do México e Marco Aquino em Lima)