Tom Cruise ressalta personagem “totalmente escandaloso” no filme “Digger”
LONDRES, 23 Set (Reuters) - Tom Cruise descreveu seu personagem em “Digger” como “totalmente escandaloso” e diferente de qualquer papel que já interpretou antes, em declarações feitas na estreia mundial do filme em Londres na terça-feira.
“É o tipo de personagem que diz coisas que algumas pessoas pensam, mas outras nem conseguem imaginar pensar”, afirmou o astro de Hollywood à Reuters. “Nunca li um personagem assim. Nunca li um roteiro como esse.”
O lançamento de “Digger” foi comemorado com uma estreia real, que contou com a presença do príncipe William e da princesa Kate do Reino Unido, após o que a atriz Sandra Huller descreveu como quase 10 anos de trabalho do diretor vencedor do Oscar Alejandro G. Inarritu.
O filme gerou muita expectativa desde que um trailer mostrou Cruise transformado no excêntrico magnata do petróleo Digger Rockwell, com cabelos grisalhos, próteses faciais e um macacão acolchoado.
Cruise disse que essa transformação estava longe de ser o aspecto mais exigente do papel, apontando, em vez disso, para um monólogo de 10 minutos filmado em uma única tomada.
Huller, estrela de “Anatomia de uma Queda”, disse que foi “notável” assistir à atuação de Cruise. “Parece que tudo o que ele aprendeu em 46 anos de carreira como ator se incorporou a esse personagem”, acrescentou ela.
No filme, Rockwell, sem querer, desencadeia um desastre ecológico que leva o mundo à beira de uma guerra nuclear, antes de se esforçar para salvar o planeta. Mas os cineastas revelaram pouquíssimo mais sobre a história, alimentando especulações sobre o enredo e rumores de que poderia ser um musical — o que Cruise negou.
“Se você assistir ao filme sem saber nada sobre ele, será muito melhor do que se você já soubesse de antemão”, disse Huller, acrescentando que o sigilo não tinha como objetivo criar intriga apenas por criar.
Enquanto Cruise descreveu a história como uma exploração do “poder e da ganância... da responsabilidade e da irresponsabilidade”, a atriz australiana Sophie Wilde afirmou que também traz uma mensagem sobre a arte ser “um veículo para a catarse”.
Michael Stuhlbarg, astro de “Me Chame Pelo Seu Nome”, relembrou que as cenas estavam em constante evolução durante as filmagens, com novos diálogos, versões alternativas e acréscimos inesperados surgindo de um dia para o outro.
O ator brincou dizendo que foi filmado tanto material inusitado que ele espera que, um dia, seja lançado um DVD com cenas extras da produção. “Foi muito divertido”, disse ele.