Huawei afirma que demanda por chips de inteligência artificial supera oferta

A Huawei não consegue produzir equipamentos de computação para inteligência artificial em quantidade suficiente para atender à demanda na China e está limitando as vendas no exterior, afirmou no último dia 17 o presidente rotativo da empresa, Eric Xu, enquanto a gigante chinesa de tecnologia amplia o desafio à Nvidia.

Xu afirmou que os testes do chip de inteligência artificial Ascend 950DT, da Huawei, apresentaram bons resultados e que a empresa mantém amplas discussões com desenvolvedores chineses de modelos de IA. Ele espera que muitos deles comecem a treinar modelos em sistemas equipados com o chip no próximo ano.

“Como não temos capacidade suficiente nem para atender à demanda na China, não temos planos de expandir plenamente para o mercado internacional”, disse Xu a jornalistas durante a conferência Huawei Connect, em Xangai.

A Huawei fornece equipamentos a alguns países onde a demanda é particularmente forte, afirmou Xu, mas os volumes ainda são limitados.

Xu também disse que é difícil obter dados confiáveis sobre a participação da Nvidia no mercado chinês de chips de IA, mas acrescentou: “Acredito que a participação de mercado do Ascend deve ser maior que a da Nvidia”.

A Huawei não apresentou dados para sustentar a estimativa.

Os comentários ressaltam o papel crescente da Huawei no centro dos esforços da China para construir uma indústria doméstica de computação para IA, enquanto controles de exportação dos Estados Unidos restringem o acesso aos chips mais avançados da Nvidia e a equipamentos para fabricação de semicondutores. A Huawei enfrenta restrições comerciais separadas impostas pelos EUA desde maio de 2019.

Xu relacionou explicitamente o avanço dos chips da Huawei ao esforço da China para reduzir sua dependência de tecnologias estrangeiras.

“Não podemos aceitar um destino em que não tenhamos controle sobre nosso próprio futuro, determinado pela disposição de outros em vender ou não chips para a China”, afirmou.

“Seja para o governo chinês, para a indústria chinesa ou para a Huawei, certamente o caminho a seguir é buscar a autossuficiência total em chips.”

A Huawei colocou a infraestrutura de IA no centro de sua estratégia. Guo Ping, presidente do conselho de supervisão da Huawei, afirmou a funcionários, em declarações divulgadas nesta semana, que a empresa considera a IA sua “maior oportunidade” e quer que suas infraestruturas de computação e conectividade tenham um papel comparável ao da Nvidia. As informações são da agência de notícias Reuters.

Fonte: Jornal O Sul