Vacina contra HPV: Brasil reforça estratégia de “resgate”, mas ainda não atinge a meta


 O Ministério da Saúde prorrogou até dezembro a estratégia de vacinação contra o HPV voltada a adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que não receberam a dose na faixa etária recomendada, de 9 a 14 anos. Cerca de 300 mil pessoas desse grupo já foram imunizadas.

Apesar do avanço, a cobertura ainda está abaixo da meta de 90% estabelecida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). Em 2025, o índice chegou a 80,26%, o maior da série histórica, mas ainda com diferenças importantes entre meninos e meninas: 74,55% entre os meninos e 86,22% entre as meninas.

Especialistas apontam que a menor cobertura entre os meninos está relacionada, em parte, à percepção de que a vacina contra o HPV seria destinada principalmente às mulheres. O vírus, porém, também está associado a diferentes tipos de câncer e outras doenças em homens.

A vacinação também enfrenta obstáculos como desinformação, receio de efeitos adversos e a dificuldade de alcançar adolescentes mais velhos, que muitas vezes já deixaram a escola e não frequentam regularmente os serviços de saúde.

As desigualdades regionais também permanecem. Em 2024, apenas oito estados alcançaram 90% de cobertura entre meninas de 9 a 14 anos. A média chegou a 93,6% no Sul, enquanto ficou em 77,3% no Nordeste.

Especialistas defendem que, além de ampliar a cobertura nacional, o acompanhamento seja feito considerando fatores como renda, escolaridade, região de moradia e outros marcadores sociais, para identificar grupos que permanecem menos protegidos.

A estratégia de resgate para jovens de 15 a 19 anos foi prorrogada até dezembro, mas sua execução depende da organização de cada estado. A Rede Nacional de Dados de Saúde (RNDS), por meio do registro nominal por CPF, pode auxiliar na identificação de pessoas que ainda não receberam a vacina.

Fonte: Jornal O Sul