Três em cada quatro visitantes do Google deixam de ir a outras páginas após interagir com ferramenta de inteligência artificial da nova caixa de pesquisa


O Google está passando por uma das maiores transformações de sua história com a incorporação da inteligência artificial ao mecanismo de buscas, mudança que pode alterar a forma como as pessoas acessam informações na internet e impactar o futuro da chamada “web aberta”.

Desde a abertura de capital, em 2004, a empresa defendia a ideia de facilitar o acesso a informações de qualidade, funcionando como uma porta de entrada para milhões de sites de empresas, veículos de comunicação, universidades e organizações. O modelo tradicional era baseado em apresentar listas de links que direcionavam os usuários para páginas externas.

Com a chegada da inteligência artificial, esse formato começou a mudar. O Google passou a oferecer respostas geradas pelo Gemini, seu sistema de IA, em vez de apenas apresentar links. O novo AI Mode permite que usuários façam pesquisas mais complexas, enviem imagens e vídeos e utilizem agentes de inteligência artificial para realizar tarefas em seu nome.

A mudança aumentou o tempo de permanência dos usuários dentro da plataforma, mas também gerou preocupação entre empresas e produtores de conteúdo que dependem do tráfego vindo das buscas. Estudos indicam que muitos usuários encontram as respostas diretamente no Google e deixam de acessar os sites que antes apareciam nos resultados.

Especialistas chamam esse possível cenário de “Google Zero”, uma situação em que o tráfego de sites originado pelo buscador poderia cair drasticamente. Para veículos de comunicação e outras organizações digitais, a redução de acessos pode afetar modelos de negócio baseados em publicidade e audiência.

A transformação também reacende o debate sobre o futuro da web aberta, conceito criado pelo inventor da World Wide Web, Tim Berners-Lee, que defendia uma internet descentralizada, onde qualquer pessoa pudesse criar e acessar conteúdos livremente.

O Google afirma, porém, que a inteligência artificial não representa uma ameaça à internet aberta e diz continuar enviando bilhões de acessos para sites externos. A empresa também afirma que os dados que apontam queda no tráfego seriam baseados em análises inadequadas e reforça que mantém o compromisso com o ecossistema digital.

Fonte: Jornal O Sul.