Teste genético que revela risco de câncer chega ao SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) deverá disponibilizar, até novembro, um teste genético capaz de identificar alterações hereditárias nos genes BRCA1 e BRCA2, associadas ao aumento da predisposição para alguns tipos de câncer. A incorporação do exame representa uma ampliação do acesso à medicina de precisão na rede pública brasileira.

A medida foi oficializada pelo Ministério da Saúde em maio, após avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). Inicialmente, o teste será oferecido a pacientes com diagnóstico de câncer de mama que atendam aos critérios clínicos definidos pelo sistema público de saúde.

Os genes BRCA1 e BRCA2 participam dos mecanismos responsáveis pela reparação do DNA. Algumas alterações hereditárias nesses genes podem aumentar significativamente a predisposição ao desenvolvimento de determinados tipos de câncer, principalmente de mama e ovário. As mutações também estão relacionadas a casos de câncer de próstata e pâncreas.
Como será realizado o teste

A análise genética poderá ser feita a partir de material biológico, como sangue ou saliva. O objetivo é identificar possíveis alterações nos genes que possam influenciar o acompanhamento médico e as decisões relacionadas ao tratamento.

A presença de uma mutação, porém, não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá câncer. O resultado indica uma predisposição hereditária maior e precisa ser interpretado por profissionais de saúde dentro do histórico clínico e familiar de cada paciente.

Para mulheres que já receberam o diagnóstico de câncer de mama, a informação genética poderá auxiliar os médicos na definição de estratégias de tratamento e acompanhamento. O resultado também pode contribuir para avaliar o risco de surgimento de novos tumores e orientar medidas preventivas.

A previsão é que o exame esteja disponível na rede pública até 9 de novembro de 2026. O prazo está relacionado ao período de até 180 dias estabelecido para que o Ministério da Saúde implemente as medidas necessárias após a incorporação da tecnologia.
Estrutura para a implementação

A inclusão do teste no SUS exigirá a organização dos fluxos de atendimento e a definição dos critérios clínicos que determinarão quais pacientes poderão realizar o exame.

Também será necessário ampliar a capacidade dos laboratórios, capacitar as equipes responsáveis pela realização e interpretação dos testes e garantir orientação adequada às pacientes antes e depois da análise genética.

A testagem genética já vinha sendo discutida no país havia alguns anos. Em janeiro, a Sociedade Brasileira de Mastologia defendia a inclusão do exame na rede pública e destacava que pacientes de planos de saúde já tinham acesso à tecnologia em determinadas situações.

Com a nova política, mulheres diagnosticadas com câncer de mama que apresentem indicação clínica poderão realizar pelo SUS o sequenciamento dos genes BRCA1 e BRCA2. A medida também poderá ajudar a identificar famílias com maior risco hereditário, possibilitando que parentes sejam encaminhados para avaliação genética quando houver indicação.
Teste não substitui acompanhamento médico

Apesar de ampliar as possibilidades de prevenção e tratamento, o teste genético não substitui os métodos tradicionais de rastreamento e acompanhamento do câncer de mama.

A avaliação médica continua sendo fundamental para determinar quais exames são indicados e interpretar corretamente os resultados. Uma alteração genética precisa ser analisada em conjunto com o histórico pessoal e familiar da paciente.

A incorporação do exame também amplia o acesso à medicina genômica no sistema público. A tecnologia permite utilizar informações genéticas como apoio às decisões clínicas, mas seus benefícios dependem de uma estrutura capaz de acompanhar adequadamente os pacientes que apresentarem alterações.

No caso dos genes BRCA1 e BRCA2, os resultados podem influenciar tanto a escolha de determinadas estratégias de tratamento quanto o acompanhamento e a prevenção de novos tumores. Por isso, especialistas ressaltam a importância de que a realização do teste seja acompanhada de orientação médica e aconselhamento genético adequado.

Fonte: Jornal O Sul