Treino de corrida só deve feito após os 12 anos de idade e de forma leve
A corrida vem conquistando cada vez mais adeptos no Brasil, mas, quando o assunto são crianças e adolescentes, especialistas alertam que a prática precisa respeitar as diferentes fases do desenvolvimento.
Correr durante brincadeiras pode fazer parte da rotina desde a infância e traz benefícios para o desenvolvimento motor, além de ajudar a combater o sedentarismo. A preocupação começa quando a corrida passa a ser tratada como um treinamento estruturado, com metas de desempenho, aumento de volume e participação em provas.
Segundo especialistas, até aproximadamente os 11 ou 12 anos, o ideal é que a corrida aconteça principalmente de forma lúdica e integrada a outras atividades. A partir dos 12 anos, podem ser introduzidas corridas leves e exercícios voltados à técnica de movimento. Treinos mais estruturados, com progressão gradual, tendem a ser mais adequados a partir da adolescência.
Na infância, entre 2 e 6 anos, por exemplo, corridas curtas podem fazer parte de brincadeiras como pega-pega, sem preocupação com velocidade, distância ou desempenho. Dos 7 aos 11 anos, a recomendação é evitar a especialização precoce e estimular a participação em diferentes esportes.
Entre 12 e 15 anos, período marcado pelo estirão do crescimento, o cuidado precisa ser ainda maior. O treinamento pode ganhar organização, mas deve priorizar a técnica em vez do aumento de quilômetros. Dores persistentes nas articulações também precisam ser observadas para evitar lesões relacionadas à sobrecarga.
A partir dos 16 anos, com o avanço da maturação física, o volume dos treinos pode aumentar gradualmente, assim como a inclusão de exercícios de força, desde que exista orientação adequada.
Um dos principais cuidados em todas as idades é evitar aumentos bruscos na distância ou na intensidade. Para adolescentes, é mais importante garantir que o organismo consiga se recuperar entre os treinos do que acumular muitos quilômetros.
O descanso, a hidratação, o sono e a alimentação também fazem parte da preparação. Além disso, os especialistas recomendam atenção a sinais como dor persistente, cansaço excessivo, queda de rendimento e perda do prazer pela atividade.
A preocupação está relacionada ao fato de que o corpo de crianças e adolescentes ainda está em desenvolvimento. Submeter um esqueleto imaturo a cargas semelhantes às de um adulto pode aumentar o risco de fraturas por estresse e lesões nas regiões de crescimento. Também existem riscos relacionados à baixa disponibilidade de energia, alterações no desenvolvimento e maior dificuldade das crianças em lidar com o calor.
Outro problema é a especialização esportiva precoce. A pressão por resultados e a cobrança excessiva podem fazer com que uma atividade inicialmente prazerosa se transforme em fonte de desgaste físico e emocional.
E as provas de rua?
A participação em corridas também possui limites de idade definidos pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). No Brasil, considerando a idade completa do participante em 31 de dezembro do ano da competição, as regras estabelecem:
5 km: idade mínima de 14 anos;
Distâncias menores que 10 km: 16 anos;
De 10 km a 30 km, incluindo meia-maratona: 18 anos;
Maratona, de 42 km ou mais: 20 anos.
Existem ainda corridas infantis, geralmente com distâncias inferiores a 1 km, desenvolvidas especificamente para crianças.
Os especialistas reforçam que conseguir completar uma distância maior não significa necessariamente que o esforço seja adequado para aquela idade. O organismo pode suportar a atividade naquele momento, mas ainda assim estar sendo submetido a uma carga excessiva para sua fase de crescimento.
A recomendação, portanto, não é afastar crianças e adolescentes da corrida, mas adaptar a prática ao desenvolvimento de cada um. Quando introduzida de maneira gradual, supervisionada e sem pressão exagerada por desempenho, a corrida pode contribuir para a saúde, a coordenação motora e a formação de hábitos ativos.
Fonte: Jornal O Sul
Correr durante brincadeiras pode fazer parte da rotina desde a infância e traz benefícios para o desenvolvimento motor, além de ajudar a combater o sedentarismo. A preocupação começa quando a corrida passa a ser tratada como um treinamento estruturado, com metas de desempenho, aumento de volume e participação em provas.
Segundo especialistas, até aproximadamente os 11 ou 12 anos, o ideal é que a corrida aconteça principalmente de forma lúdica e integrada a outras atividades. A partir dos 12 anos, podem ser introduzidas corridas leves e exercícios voltados à técnica de movimento. Treinos mais estruturados, com progressão gradual, tendem a ser mais adequados a partir da adolescência.
Na infância, entre 2 e 6 anos, por exemplo, corridas curtas podem fazer parte de brincadeiras como pega-pega, sem preocupação com velocidade, distância ou desempenho. Dos 7 aos 11 anos, a recomendação é evitar a especialização precoce e estimular a participação em diferentes esportes.
Entre 12 e 15 anos, período marcado pelo estirão do crescimento, o cuidado precisa ser ainda maior. O treinamento pode ganhar organização, mas deve priorizar a técnica em vez do aumento de quilômetros. Dores persistentes nas articulações também precisam ser observadas para evitar lesões relacionadas à sobrecarga.
A partir dos 16 anos, com o avanço da maturação física, o volume dos treinos pode aumentar gradualmente, assim como a inclusão de exercícios de força, desde que exista orientação adequada.
Um dos principais cuidados em todas as idades é evitar aumentos bruscos na distância ou na intensidade. Para adolescentes, é mais importante garantir que o organismo consiga se recuperar entre os treinos do que acumular muitos quilômetros.
O descanso, a hidratação, o sono e a alimentação também fazem parte da preparação. Além disso, os especialistas recomendam atenção a sinais como dor persistente, cansaço excessivo, queda de rendimento e perda do prazer pela atividade.
A preocupação está relacionada ao fato de que o corpo de crianças e adolescentes ainda está em desenvolvimento. Submeter um esqueleto imaturo a cargas semelhantes às de um adulto pode aumentar o risco de fraturas por estresse e lesões nas regiões de crescimento. Também existem riscos relacionados à baixa disponibilidade de energia, alterações no desenvolvimento e maior dificuldade das crianças em lidar com o calor.
Outro problema é a especialização esportiva precoce. A pressão por resultados e a cobrança excessiva podem fazer com que uma atividade inicialmente prazerosa se transforme em fonte de desgaste físico e emocional.
E as provas de rua?
A participação em corridas também possui limites de idade definidos pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt). No Brasil, considerando a idade completa do participante em 31 de dezembro do ano da competição, as regras estabelecem:
5 km: idade mínima de 14 anos;
Distâncias menores que 10 km: 16 anos;
De 10 km a 30 km, incluindo meia-maratona: 18 anos;
Maratona, de 42 km ou mais: 20 anos.
Existem ainda corridas infantis, geralmente com distâncias inferiores a 1 km, desenvolvidas especificamente para crianças.
Os especialistas reforçam que conseguir completar uma distância maior não significa necessariamente que o esforço seja adequado para aquela idade. O organismo pode suportar a atividade naquele momento, mas ainda assim estar sendo submetido a uma carga excessiva para sua fase de crescimento.
A recomendação, portanto, não é afastar crianças e adolescentes da corrida, mas adaptar a prática ao desenvolvimento de cada um. Quando introduzida de maneira gradual, supervisionada e sem pressão exagerada por desempenho, a corrida pode contribuir para a saúde, a coordenação motora e a formação de hábitos ativos.
Fonte: Jornal O Sul
