Reino Unido e França prometem apoio mais forte à Ucrânia durante celebração do Dia da Independência
Por Daniel Flynn e Anna Pruchnicka
KIEV, 24 Ago (Reuters) - Os líderes de Reino Unido e França comprometeram-se a fornecer à Ucrânia um apoio militar mais robusto — incluindo acesso a tecnologia sigilosa e entregas mais rápidas de mísseis de defesa aérea — durante uma reunião de aliados para marcar as celebrações do Dia da Independência de Kiev.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, em Kiev para sua primeira visita ao exterior desde que assumiu o cargo no mês passado, instou os integrantes da "Coalizão dos Dispostos" a "fazerem todo o possível" para reforçar as defesas da Ucrânia contra ataques aéreos russos.
Mais cedo, o presidente Volodymyr Zelensky havia elogiado a resiliência do povo ucraniano ao longo de mais de quatro anos de guerra.
"A Ucrânia quer paz acima de tudo, mas não está pronta para simplesmente se render", disse Zelensky, acrescentando que a Rússia não interromperia sua agressão mesmo se a Ucrânia cedesse às suas exigências por mais território no leste do país.
Vestindo uma camisa bordada tradicional ucraniana, Zelensky agradeceu aos líderes estrangeiros por viajarem a Kiev para demonstrar apoio no 35º aniversário da separação da Ucrânia da União Soviética.
Ao lado de Zelensky e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, Burnham afirmou que a escolha de Kiev para sua primeira visita ao exterior demonstra a importância que ele atribui a ajudar na defesa da Ucrânia.
"Estamos com vocês nesta luta até o fim, de corpo e alma", disse Burnham, prometendo manter esse apoio "apesar das ameaças ultrajantes da Rússia ao meu país".
"Este é o momento de manter a pressão sobre a Rússia. O momento de restringir sua capacidade de financiar esta guerra ilegal", afirmou Burnham, defendendo a imposição de mais sanções econômicas.
O Reino Unido anunciou na segunda-feira que permitiria a Kiev o acesso a tecnologia sigilosa para iniciar a produção própria de mísseis de cruzeiro de longo alcance Storm Shadow, capazes de realizar ataques em profundidade no território russo. A França já havia dado seu consentimento para licenciar a tecnologia do míssil europeu.
Em resposta, o Kremlin afirmou que o uso de tecnologia britânica sigilosa "jogaria lenha na fogueira" das relações já deterioradas, após ter alertado Londres, na semana passada, de que haveria "consequências" pelo fornecimento de drones a Kiev.
UCRÂNIA PRECISA DE MAIS INTERCEPTORES, DIZ PRESIDENTE
Com a Rússia intensificando os ataques com mísseis balísticos a cidades ucranianas, Kiev enfrenta uma escassez crítica de interceptores de defesa aérea Patriot — de fabricação norte-americana —, a única arma em seu arsenal capaz de abater tais mísseis.
Zelensky afirmou que a Ucrânia precisa de pelo menos 300 interceptores para atravessar o inverno e apelou aos aliados para que fornecessem um pacote de defesa aérea antes que a Rússia retomasse os ataques à infraestrutura energética do país.
O presidente francês, Emmanuel Macron, que copresidia a reunião da coalizão por videoconferência, disse que uma série de ataques letais a cidades ucranianas nas últimas semanas demonstrou a necessidade de os aliados acelerarem o envio de interceptores, assegurando que a França faria a sua parte.
"Acredito ser muito importante que todos nós aceleremos as entregas", declarou Macron na reunião, instando os países a não recuarem diante da intimidação russa. "Para mim, a conclusão é muito clara: manter a calma e seguir em frente."
Centenas de milhares de pessoas foram mortas e vastas áreas do território ucraniano foram devastadas desde que a Rússia lançou sua invasão em grande escala em 24 de fevereiro de 2022.
As negociações de paz lideradas pelos EUA para pôr um fim definitivo à guerra estagnaram, já que a Ucrânia recusou as exigências russas de ceder mais território, e os combates continuam ao longo de uma linha de frente de 1.200 km.
(Reportagem de Daniel Flynn, em Kiev, e Anna Pruchnicka, em Gdansk)