O que é o Discord? Entenda como funciona a plataforma que teve lives suspensas no Brasil


A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou, na última quarta-feira (12), a suspensão das transmissões ao vivo do Discord em todo o Brasil. A empresa terá três dias úteis para interromper o recurso e comprovar a adoção de medidas consideradas eficazes para proteger crianças e adolescentes.

A decisão não representa o bloqueio completo da plataforma. Recursos como mensagens de texto e chamadas de voz continuam disponíveis aos usuários.

A medida foi tomada após a morte de uma adolescente de 13 anos em um servidor privado do Discord. O caso é investigado pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e envolveu uma transmissão ao vivo. A situação também provocou manifestações públicas em defesa de medidas mais rígidas contra a plataforma.

Criado em 2015 inicialmente para jogadores de videogame, o Discord permite conversas por texto, voz e vídeo, além de transmissões ao vivo e compartilhamento de tela. Com o passar dos anos, o serviço se transformou em uma plataforma utilizada por comunidades de diferentes interesses, como grupos de estudo, fãs, criadores de conteúdo e pessoas que buscam interação virtual.

A estrutura do Discord é organizada principalmente por servidores, que funcionam como comunidades virtuais divididas em diferentes canais. Eles podem ser públicos ou privados, sendo que alguns exigem convite ou autorização dos administradores.

Apesar da expansão do serviço, a plataforma passou a enfrentar críticas de autoridades brasileiras devido a denúncias envolvendo violência, assédio, chantagem, automutilação e aliciamento de crianças e adolescentes.

O caso que motivou a atual medida da ANPD está relacionado à morte de uma adolescente de 13 anos. Segundo as investigações, ela participava de um servidor privado no qual integrantes teriam incentivado práticas de automutilação. O episódio teria sido transmitido ao vivo e passou a ser investigado pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.

A investigação levou à Operação Lívia, que contou com apoio do Ministério da Justiça e cumpriu sete mandados em cinco estados. De acordo com a polícia, suspeitos recrutavam jovens em situação de vulnerabilidade emocional e os atraíam para grupos fechados, onde poderiam ocorrer situações de coação, isolamento, humilhação e desafios envolvendo violência.

As autoridades também analisam equipamentos apreendidos durante a operação para identificar outras possíveis vítimas e integrantes dos grupos. Segundo a polícia, a análise de evidências digitais já permitiu identificar uma segunda possível vítima em outro estado.

Dados da SaferNet Brasil indicam ainda aumento das denúncias relacionadas ao Discord. Nos sete primeiros meses deste ano, foram registradas 406 notificações envolvendo a plataforma, contra 264 no mesmo período do ano anterior, crescimento de 54%.

Fonte: Jornal O Sul.