Livro foca em como educar filhos antes que os algoritmos façam isso

Um provérbio africano bastante conhecido entre educadores afirma que é preciso uma “aldeia inteira” para educar uma criança. Na era da internet, porém, essa aldeia passou a dividir espaço com os algoritmos das grandes plataformas digitais, que podem influenciar o comportamento de crianças e adolescentes, recomendar conteúdos inadequados e utilizar mecanismos de design capazes de estimular o uso prolongado das redes.

Essa nova realidade da parentalidade é o tema do livro “O Algoritmo das Famílias – Como o Mundo Digital Desafia a Parentalidade”, da jornalista especializada em educação e colunista do Estadão Renata Cafardo.

A obra chega às livrarias físicas e digitais em 19 de agosto, mas já está disponível em pré-venda pela Editora Contexto. O lançamento oficial será realizado no dia 24 de agosto, na Livraria da Vila, em Pinheiros, São Paulo.

Segundo a autora, a principal questão abordada no livro é o fato de que pais e responsáveis não são mais os únicos agentes que influenciam a formação das crianças. Enquanto as famílias educam, os algoritmos também selecionam conteúdos, apresentam comportamentos e direcionam os interesses dos usuários.

“Educamos crianças e adolescentes enquanto os algoritmos estão tentando educá-los também”, afirma Renata.
Os desafios da parentalidade digital

A ideia de escrever o livro surgiu tanto da experiência pessoal da jornalista, que é mãe de duas crianças, quanto de sua atuação profissional como repórter e pesquisadora na área de educação.

Para Renata, o ambiente digital se tornou um dos principais desafios enfrentados atualmente pelas famílias. Pais e mães precisam lidar com uma realidade que não existia da mesma maneira quando eles próprios eram crianças e, por isso, muitas vezes não encontram referências dentro da própria família para orientar suas decisões.

Ao longo de 192 páginas, a autora aborda diferentes aspectos da relação entre crianças, adolescentes, famílias e tecnologia. Entre os temas estão o design das plataformas desenvolvido para estimular o uso contínuo, os impactos sociais das telas e questões relacionadas à formação de padrões de comportamento, incluindo modelos tóxicos de masculinidade.

O livro reúne relatos de famílias, entrevistas e referências de pesquisas nacionais e internacionais. A autora destaca que ainda existe uma lacuna de publicações que tratem especificamente da realidade das famílias brasileiras diante dos desafios impostos pelo ambiente digital.
Proteger sem controlar

A proposta da obra não é oferecer uma receita pronta para que os pais controlem o comportamento dos filhos nas redes sociais. A intenção é estimular o diálogo dentro de casa e ajudar as famílias a compreender melhor o funcionamento do ambiente digital.

Para Renata, proteger crianças e adolescentes atualmente não significa apenas restringir o acesso à tecnologia. Também envolve estimular a autonomia, acompanhar o que acontece no ambiente virtual e manter uma relação de diálogo e supervisão.

O desafio, segundo a autora, está justamente em encontrar o equilíbrio entre proteger demais e proteger de menos.

A proposta do livro é, portanto, construir um “algoritmo das famílias”: uma dinâmica em que pais e filhos possam estabelecer uma relação mais saudável com a tecnologia, sem deixar que as decisões sobre a formação das crianças sejam determinadas exclusivamente pelos interesses das grandes plataformas digitais.

Fonte: Jornal O Sul