Consumo de açúcar na infância pode elevar risco de demência


O consumo elevado de açúcar nos primeiros anos de vida pode aumentar o risco de demência na idade adulta, segundo um estudo publicado na revista científica Neurology. A pesquisa analisou dados de mais de 64 mil pessoas nascidas no Reino Unido após a Segunda Guerra Mundial, comparando indivíduos expostos ao período de racionamento de açúcar com aqueles que cresceram após o fim da restrição.

Os resultados indicaram que pessoas expostas ao racionamento durante a gestação e os primeiros anos de vida apresentaram menor risco de desenvolver demência e doença de Alzheimer na idade adulta. Em comparação com quem não passou pela restrição, o risco de demência foi até 23% menor, enquanto o risco de Alzheimer caiu até 28%, dependendo do período de exposição.

O estudo também mostrou que a restrição de açúcar nos primeiros 1.000 dias de vida esteve associada a um atraso de aproximadamente 2,5 anos no surgimento da demência, além de indicadores mais favoráveis de saúde cerebral, como maior volume de substância cinzenta e melhor desempenho em testes cognitivos.

Segundo os pesquisadores, parte desse efeito pode ser explicada pela menor incidência de diabetes tipo 2 e hipertensão, fatores que responderam por cerca de um quarto da associação observada entre o menor consumo de açúcar e a redução do risco de demência.

Os autores ressaltam que os resultados reforçam a importância de limitar o consumo de açúcar durante a gestação e a primeira infância como uma estratégia potencial para promover a saúde cerebral e reduzir o risco de demência ao longo da vida. No entanto, por se tratar de um estudo observacional, ele aponta uma associação, mas não comprova uma relação direta de causa e efeito.

Fonte: Jornal O Sul.