Canais ilegais do Telegram têm mais de 1 milhão de inscritos
Canais ligados a plataformas ilegais de apostas esportivas e jogos online já reúnem mais de 1 milhão de inscritos no Telegram, segundo levantamento do Estadão Verifica. A apuração identificou oito operações clandestinas que continuam utilizando a plataforma para divulgar serviços, distribuir links e atrair apostadores no Brasil, mesmo após a implementação de medidas de regulamentação e bloqueio pelo governo federal.
Os nomes das plataformas não foram divulgados na investigação, mas os endereços eletrônicos encontrados foram encaminhados ao Ministério da Fazenda. As empresas identificadas atuam fora das regras estabelecidas para o mercado regulado de apostas e oferecem modalidades como apostas esportivas, cassinos virtuais e jogos de caça-níqueis.
Um dos principais indícios de irregularidade é a ausência do domínio “bet.br”, exigido para empresas autorizadas a operar legalmente no país. Nenhum dos sites identificados na investigação utilizava a terminação obrigatória. Em um dos casos, a plataforma utilizava um domínio internacional, mas oferecia conteúdo em português e permitia que usuários localizados no Brasil acessassem os serviços.
As empresas também encontraram no Telegram uma ferramenta para ampliar a divulgação. Nos canais analisados, anúncios utilizam promessas de ganhos elevados e mensagens de forte apelo para estimular os usuários a fazer depósitos e participar dos jogos.
Entre os conteúdos encontrados estão anúncios de supostos prêmios milionários e imagens apresentadas como comprovantes de pagamentos realizados a apostadores. A estratégia procura transmitir aos usuários a ideia de que grandes ganhos seriam frequentes e que haveria facilidade para obter dinheiro com as apostas.
Risco de acesso por menores
Outro ponto de preocupação é a possibilidade de crianças e adolescentes acessarem essas plataformas. Em alguns casos identificados pelo levantamento, os mecanismos de verificação de idade são considerados insuficientes.
Há sites em que o acesso depende apenas de uma declaração do usuário de que possui mais de 18 anos, sem que sejam solicitados documentos ou utilizados mecanismos capazes de confirmar efetivamente a idade.
Especialistas também alertam para o uso de elementos visuais que podem aumentar o interesse de crianças e adolescentes. Cores, personagens e uma linguagem associada ao entretenimento aparecem em páginas que oferecem jogos de cassino e outras modalidades de apostas.
Mais de 56 mil domínios bloqueados
A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, informou que mais de 56 mil domínios considerados ilegais haviam sido bloqueados desde outubro de 2024. A ação é realizada em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
O bloqueio, porém, não impede necessariamente que novas páginas sejam criadas ou que plataformas clandestinas encontrem outras formas de divulgação.
Nesse cenário, os canais do Telegram representam um desafio adicional para as autoridades. Enquanto os sites podem ser diretamente atingidos por medidas de bloqueio, os canais de mensagens podem continuar funcionando como espaços para divulgação de plataformas, distribuição de novos endereços e contato com apostadores.
A presença de comunidades com mais de 1 milhão de inscritos mostra que as plataformas clandestinas continuam encontrando público no Brasil, apesar do avanço da regulamentação do setor.
O levantamento indica que o combate às apostas ilegais não depende apenas do bloqueio dos sites. A migração da publicidade e da distribuição de links para aplicativos de mensagens e redes sociais cria novos caminhos para empresas que operam fora das regras brasileiras.
Fonte: Jornal O Sul
Os nomes das plataformas não foram divulgados na investigação, mas os endereços eletrônicos encontrados foram encaminhados ao Ministério da Fazenda. As empresas identificadas atuam fora das regras estabelecidas para o mercado regulado de apostas e oferecem modalidades como apostas esportivas, cassinos virtuais e jogos de caça-níqueis.
Um dos principais indícios de irregularidade é a ausência do domínio “bet.br”, exigido para empresas autorizadas a operar legalmente no país. Nenhum dos sites identificados na investigação utilizava a terminação obrigatória. Em um dos casos, a plataforma utilizava um domínio internacional, mas oferecia conteúdo em português e permitia que usuários localizados no Brasil acessassem os serviços.
As empresas também encontraram no Telegram uma ferramenta para ampliar a divulgação. Nos canais analisados, anúncios utilizam promessas de ganhos elevados e mensagens de forte apelo para estimular os usuários a fazer depósitos e participar dos jogos.
Entre os conteúdos encontrados estão anúncios de supostos prêmios milionários e imagens apresentadas como comprovantes de pagamentos realizados a apostadores. A estratégia procura transmitir aos usuários a ideia de que grandes ganhos seriam frequentes e que haveria facilidade para obter dinheiro com as apostas.
Risco de acesso por menores
Outro ponto de preocupação é a possibilidade de crianças e adolescentes acessarem essas plataformas. Em alguns casos identificados pelo levantamento, os mecanismos de verificação de idade são considerados insuficientes.
Há sites em que o acesso depende apenas de uma declaração do usuário de que possui mais de 18 anos, sem que sejam solicitados documentos ou utilizados mecanismos capazes de confirmar efetivamente a idade.
Especialistas também alertam para o uso de elementos visuais que podem aumentar o interesse de crianças e adolescentes. Cores, personagens e uma linguagem associada ao entretenimento aparecem em páginas que oferecem jogos de cassino e outras modalidades de apostas.
Mais de 56 mil domínios bloqueados
A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, informou que mais de 56 mil domínios considerados ilegais haviam sido bloqueados desde outubro de 2024. A ação é realizada em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
O bloqueio, porém, não impede necessariamente que novas páginas sejam criadas ou que plataformas clandestinas encontrem outras formas de divulgação.
Nesse cenário, os canais do Telegram representam um desafio adicional para as autoridades. Enquanto os sites podem ser diretamente atingidos por medidas de bloqueio, os canais de mensagens podem continuar funcionando como espaços para divulgação de plataformas, distribuição de novos endereços e contato com apostadores.
A presença de comunidades com mais de 1 milhão de inscritos mostra que as plataformas clandestinas continuam encontrando público no Brasil, apesar do avanço da regulamentação do setor.
O levantamento indica que o combate às apostas ilegais não depende apenas do bloqueio dos sites. A migração da publicidade e da distribuição de links para aplicativos de mensagens e redes sociais cria novos caminhos para empresas que operam fora das regras brasileiras.
Fonte: Jornal O Sul
