Cada vez mais pessoas procuram a terapia em fases mais maduras da vida em busca de fazer as pazes com o passado, aceitar o presente e se preparar para o futuro
A ideia de que a terapia teria pouca eficácia após os 50 anos, defendida por Freud no início do século 20, não corresponde ao que a psicologia e a neurociência conhecem atualmente sobre o envelhecimento.
Cada vez mais pessoas procuram psicoterapia em fases avançadas da vida para lidar com questões como aposentadoria, perdas, solidão, mudanças familiares, limitações físicas, medo da morte e conflitos ou traumas do passado.
Especialistas destacam que a terapia pode ajudar idosos a ressignificar experiências, elaborar perdas e desenvolver novas formas de lidar com as mudanças trazidas pelo envelhecimento. O processo também pode contribuir para questões relacionadas à identidade, aos relacionamentos e à busca por uma vida mais satisfatória após grandes transformações.
A neurociência também mostra que o cérebro mantém capacidade de adaptação ao longo da vida. Mesmo durante o envelhecimento, existe neuroplasticidade, permitindo aprender, reorganizar formas de pensar e desenvolver estratégias para lidar com emoções e desafios.
Além disso, cuidar da saúde mental pode ser importante para a saúde cognitiva. Depressão, ansiedade e isolamento social podem se manifestar de maneira diferente na velhice, às vezes aparecendo como alterações no sono, falta de energia, mudanças no apetite, dificuldades de memória ou atenção.
Por isso, mudanças de comportamento não devem ser automaticamente atribuídas à idade. Em alguns casos, elas podem indicar sofrimento emocional ou alterações cognitivas que precisam ser avaliadas.
A experiência clínica acumulada ao longo das décadas mostra, portanto, que buscar autoconhecimento e cuidado psicológico não tem prazo de validade. A terapia pode ser utilizada em diferentes momentos da vida, inclusive na velhice.
Fonte: Jornal O Sul
