Apesar do movimento “álcool zero”, simples moderação no consumo já tem efeito positivo a longo prazo

O consumo excessivo de álcool está associado a diversos problemas de saúde, mas pesquisas recentes indicam que reduzir a quantidade ingerida já pode trazer benefícios significativos, mesmo sem a necessidade de interromper completamente o consumo.

Um estudo publicado na revista JAMA Network Open apontou que homens que consumiam mais de duas doses de álcool por dia e reduziram o consumo para cerca de uma dose diária tiveram uma queda de quase 10% no risco de desenvolver cânceres relacionados à bebida.

Especialistas ressaltam, porém, que não existe um nível de consumo considerado completamente seguro. A Organização Mundial da Saúde (OMS) e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) recomendam cautela e destacam que os riscos aumentam conforme a quantidade ingerida.

No Brasil, uma pesquisa da Fiocruz estimou que uma redução de 20% no consumo de álcool poderia evitar cerca de 10,4 mil mortes por ano. Outro levantamento apontou que a redução média de apenas uma dose diária entre consumidores poderia evitar aproximadamente 157 mil mortes por câncer no país até 2050.

Uma dose corresponde a cerca de 14 gramas de álcool, o equivalente a uma lata de 350 ml de cerveja, uma taça de 150 ml de vinho ou 45 ml de destilado.

Os efeitos positivos da redução também podem aparecer em outras áreas. Estudos indicam melhora da pressão arterial em poucos dias ou semanas e recuperação parcial de danos cerebrais relacionados ao consumo excessivo. No fígado, pessoas com esteatose podem apresentar melhora após algumas semanas sem álcool, enquanto, em casos de cirrose, a interrupção do consumo pode ajudar a impedir a progressão da doença.

Apesar disso, pessoas grávidas ou com condições de saúde agravadas pelo álcool devem evitar o consumo. A recomendação médica deve considerar as condições individuais de cada pessoa.

Fonte: Jornal O Sul