Vacina criada com ajuda de inteligência artificial permite imunizar contra famílias de vírus


Pesquisadores da Universidade de Cambridge desenvolveram uma nova tecnologia de vacinas com auxílio da inteligência artificial (IA) que pode ampliar a proteção contra diferentes variantes de vírus e ajudar na prevenção de futuras pandemias.

Segundo os cientistas, um dos principais desafios das vacinas atuais é que a cepa utilizada na imunização nem sempre é a mesma que circula meses depois. A nova abordagem busca identificar características comuns entre diferentes versões de um vírus, permitindo que o sistema imunológico reconheça uma variedade maior de ameaças.

O projeto foi liderado pelo professor Jonathan Heeney, que passou a investigar novas formas de desenvolvimento de vacinas após a epidemia de ebola entre 2014 e 2016, na África Ocidental. Na época, a demora para identificar o vírus e desenvolver uma resposta contribuiu para a disseminação da doença, que causou mais de 11,3 mil mortes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Com o uso de ferramentas de inteligência artificial, a equipe de Cambridge analisou grandes volumes de informações sobre diferentes vírus para encontrar padrões, semelhanças e diferenças nas regiões que são reconhecidas pelo sistema imunológico.

A tecnologia é considerada promissora diante do aumento do surgimento de novos vírus, impulsionado por fatores como crescimento populacional, maior circulação internacional de pessoas e avanço da ocupação humana em áreas naturais.

Um dos testes realizados avaliou a vacina Sarbeco, desenvolvida pelos pesquisadores em parceria com a empresa de biotecnologia DIOSynVax. O estudo acompanhou 39 voluntários entre 2021 e 2023 e indicou que a vacina era segura. Agora, a tecnologia deve passar por testes em grupos maiores.

Para os pesquisadores, a estratégia pode representar uma mudança na forma de criar imunizantes, permitindo respostas mais rápidas diante de novas ameaças sanitárias.

“Espero que seja o início de uma nova era na fabricação de vacinas”, afirmou Heeney.

Fonte: Jornal O Sul.