Primeiro consenso internacional orienta quando reduzir ou interromper o uso de Ozempic e Mounjaro no tratamento da obesidade

Os medicamentos da classe das incretinas, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, inauguraram uma nova fase no tratamento da obesidade. Em vez de focar apenas na perda de peso, especialistas defendem agora uma abordagem mais ampla, voltada à segurança, à qualidade de vida e à saúde geral do paciente.


A mudança é proposta no primeiro consenso internacional sobre os cuidados com pessoas que utilizam esses medicamentos, publicado na revista científica The Lancet Diabetes & Endocrinology. O documento foi elaborado por entidades europeias especializadas em obesidade, nutrição e apoio a pacientes.

O consenso destaca que o tratamento deve incluir a preservação da massa muscular, alimentação equilibrada, prática de atividade física, acompanhamento da saúde mental e decisões individualizadas sobre a dose do medicamento.

Segundo os especialistas, alcançar a dose máxima prevista na bula não deve ser um objetivo automático. A recomendação é que a dosagem seja ajustada de acordo com a resposta de cada paciente, considerando fatores como saciedade, perda de peso, melhora das doenças associadas e tolerância aos efeitos colaterais.

Pacientes que apresentam bons resultados com doses menores podem não precisar aumentar a medicação, enquanto aqueles com maior excesso de peso podem se beneficiar de doses mais elevadas.

O documento também aborda uma das principais dúvidas sobre esses medicamentos: quando interromper o tratamento. A orientação é que essa decisão seja tomada em conjunto entre médico e paciente, avaliando benefícios e possíveis riscos.

Entre os sinais que indicam necessidade de reavaliar a dose ou até suspender temporariamente o medicamento estão náuseas e vômitos persistentes, dificuldade para manter a hidratação, perda de peso muito rápida, ingestão insuficiente de nutrientes e sinais de desnutrição. Também merece atenção o consumo prolongado de menos de 800 calorias por dia.

Especialistas ressaltam ainda que interromper o tratamento nem sempre significa um problema. A suspensão pode ocorrer quando o paciente atinge a meta de peso, apresenta dificuldade para tolerar o medicamento ou quando continuar emagrecendo deixa de ser benéfico, especialmente em pessoas idosas.

O consenso reforça que esses medicamentos são importantes no tratamento da obesidade, mas devem ser utilizados com acompanhamento médico e de forma personalizada, respeitando as necessidades e a evolução de cada paciente.

Fonte: Jornal O Sul