Morre, aos 83 anos, Renato Machado, referência do telejornalismo brasileiro
Um dos grandes nomes do telejornalismo brasileiro, Renato teve uma carreira de mais de quatro décadas na TV Globo, onde marcou gerações de telespectadores. Apresentou o Bom Dia Brasil, o Jornal da Globo e o RJTV, integrou a bancada do Jornal Nacional, trabalhou como correspondente internacional e repórter especial. Ele também recebeu uma indicação ao Emmy Internacional.
Entre 1996 e 2010, o jornalista foi apresentador e editor-chefe do Bom Dia Brasil, período em que ajudou a reformular o telejornal. Ao lado de Leilane Neubarth e, posteriormente, de Renata Vasconcellos, adotou um formato mais dinâmico, com maior interação entre os apresentadores, entradas ao vivo de repórteres e comentaristas e um uso mais amplo do estúdio.
A trajetória de Renato no jornalismo começou em 1969, como repórter do Jornal do Brasil. Treze anos depois, ingressou na TV Globo, onde participou da cobertura da Guerra das Malvinas, um de seus primeiros grandes trabalhos na emissora.
Em 1983, tornou-se correspondente em Londres. De lá, acompanhou fatos históricos como os atentados terroristas em Paris, em 1986, e o desastre nuclear de Chernobyl. De volta ao Brasil, em 1988, passou a atuar como repórter especial da TV Globo.
Em 1990, Renato deixou a Globo para trabalhar na TV Manchete. Lá, ele cobriu a Guerra do Golfo. No ano seguinte, em 1991, voltou à TV Globo. Nos cinco anos seguintes, foi repórter especial e cobriu o impeachment de Fernando Collor e a morte do piloto Ayrton Senna.
Em setembro de 2011, Renato voltou ao posto de correspondente internacional da TV Globo em Londres. De lá, participou da cobertura de acontecimentos marcantes, como os ataques terroristas ao jornal francês Charlie Hebdo, em 2015, os 95 anos de Nelson Mandela e a crise econômica na Grécia.
Na Europa, também teve espaço para explorar uma de suas grandes paixões: os vinhos. Em 2014, produziu para o Jornal Hoje uma série sobre a região da Provença, na França, em que percorreu aspectos da produção da bebida, além de histórias ligadas à culinária, ao comportamento e à cultura local.
Em janeiro de 2016, o jornalista passou o posto de correspondente em Londres para a repórter Cecília Malan.
Ele retornou ao Rio de Janeiro como repórter especial do Globo Repórter. Entre os seus trabalhos mais marcantes no programa, está a edição “A arte como passaporte”, de 2016, na qual mostrou como a oportunidade de aprender música e dança pode transformar a vida de famílias pobres no Brasil.
Em Heliópolis, favela de São Paulo, a reportagem mostrou o Instituto Baccareli, que atende mais de 1,3 mil crianças a partir de 4 anos. Em Nova York, o programa encontrou uma bailarina carioca que aprendeu a dançar em um projeto da Mangueira e alcançou sucesso nos palcos americanos. O programa foi indicado ao Emmy Internacional na categoria atualidade.
Fonte: Jornal O Sul
