Ministério vai pedir inclusão no SUS de medicamento injetável que previne o HIV
O Ministério da Saúde vai encaminhar na próxima semana à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) a proposta para que o cabotegravir, medicamento injetável usado na prevenção do HIV, passe a ser oferecido pelo Sistema Único de Saúde. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a Conferência Internacional de Aids, realizada no Rio de Janeiro.
Segundo o ministro, a fabricante apresentou ao governo um preço considerado adequado para a negociação. No entanto, o envio da proposta não significa que o medicamento será disponibilizado imediatamente. A Conitec ainda avaliará as evidências científicas, os custos e o impacto da incorporação antes de emitir uma recomendação.
Aprovado pela Anvisa em 2023, o cabotegravir é uma alternativa à PrEP oral atualmente oferecida pelo SUS. Enquanto o tratamento disponível hoje exige o uso diário de comprimidos, o novo medicamento é aplicado por injeção a cada dois meses, facilitando a adesão ao tratamento.
A Organização Mundial da Saúde recomenda o uso do cabotegravir desde 2022, e estudos clínicos realizados, inclusive no Brasil, demonstraram que o medicamento apresentou eficácia cerca de 69% superior à da PrEP oral diária na prevenção da infecção pelo HIV.
O ministro também comentou as negociações para a incorporação do lenacapavir, outro medicamento injetável de ação prolongada, administrado apenas duas vezes por ano. Segundo Padilha, o governo não chegou a um acordo com a fabricante devido ao preço considerado elevado.
De acordo com o ministro, o Brasil chegou a oferecer um valor até dez vezes maior que o praticado para países com perfil econômico semelhante, como Indonésia e Tailândia, mas a proposta não foi aceita.
Padilha afirmou que o governo apoia a inovação no tratamento e na prevenção do HIV, mas defendeu que novas tecnologias sejam oferecidas aos sistemas públicos de saúde por preços compatíveis. Segundo ele, o Ministério da Saúde não pretende avançar na incorporação do lenacapavir enquanto os valores permanecerem incompatíveis com a capacidade financeira do SUS.
Fonte: Jornal O Sul
