Informar-se pelas redes sociais esconde uma ilusão perigosa de liberdade de escolha

O crescimento das redes sociais transformou a forma como as pessoas consomem notícias, mas também reduziu o protagonismo do jornalismo tradicional. Embora muitos usuários acreditem ter acesso direto às informações, o conteúdo é filtrado por algoritmos, influenciadores e inteligências artificiais, que priorizam o engajamento em vez da relevância ou da veracidade.

Segundo o Digital News Report 2026, pela primeira vez as redes sociais superaram a imprensa como principal fonte de informação: 54% das pessoas se informam por plataformas digitais, contra 51% que recorrem aos veículos jornalísticos. Apesar disso, a confiança nas notícias vistas nas redes é baixa, chegando a apenas 22%, enquanto a credibilidade dos principais veículos de imprensa permanece superior.

O estudo também alerta para a chamada "plataformização" da notícia, fenômeno em que as plataformas digitais passam a controlar quais conteúdos chegam ao público. Esse modelo favorece publicações emocionais e de grande repercussão, reduzindo o espaço para reportagens aprofundadas e dificultando o acesso ao contexto completo dos acontecimentos.

Como consequência, especialistas apontam que a população compartilha cada vez menos referências comuns, o que pode intensificar a polarização e enfraquecer o debate público. O principal desafio do jornalismo, segundo o relatório, é manter sua visibilidade em um ambiente dominado por algoritmos que definem o que cada usuário verá primeiro.

Fonte: Jornal O Sul