HIV: novos casos caem 43% no mundo desde 2010, mas crescem no Brasil
O número de novos casos de HIV caiu 42,9% no mundo desde 2010, segundo dados divulgados pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids) durante a Conferência Internacional da AIDS, realizada no Rio de Janeiro. Apesar do avanço, a redução ainda está distante da meta de eliminar a Aids como ameaça de saúde pública até 2030.
Em 2025, foram registrados 1,2 milhão de novos casos de HIV no mundo, o menor número desde o início da epidemia, mas ainda acima da meta de 200 mil novas infecções prevista para que o objetivo de 2030 seja alcançado. Atualmente, cerca de 41 milhões de pessoas vivem com HIV em todo o planeta.
Na contramão da tendência global, o Brasil está entre os 21 países que registraram aumento superior a 20% nos novos casos desde 2010. Dados do Ministério da Saúde apontam que o país teve 39,2 mil novos diagnósticos em 2024, alta de 21,9% em relação a uma década antes. Estima-se que quase 1,7 milhão de brasileiros vivam com HIV atualmente.
Segundo a diretora-executiva do Unaids, Winnie Byanyima, a eliminação da Aids como ameaça de saúde pública até 2030 ainda é possível, mas depende de decisões políticas e da ampliação do acesso aos serviços de prevenção e tratamento.
O relatório também mostrou avanços importantes: as mortes relacionadas à Aids caíram 57% desde 2010, chegando a 570 mil óbitos em 2025. A cobertura de tratamento antirretroviral aumentou globalmente, passando de 24% das pessoas com HIV em 2010 para 78% no ano passado.
Na América Latina, porém, o cenário preocupa. As novas infecções aumentaram 25% entre 2010 e 2025, impulsionadas por fatores como desigualdade, estigma, discriminação e dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
O Brasil alcançou duas das metas internacionais chamadas de 95-95-95: mais de 95% das pessoas com HIV foram testadas e mais de 95% das pessoas em tratamento atingiram a supressão viral, quando o vírus fica em nível indetectável e não é transmitido sexualmente. Em 2025, o país também recebeu a certificação de eliminação da transmissão vertical do HIV, quando a infecção passa da mãe para o bebê.
Fonte: Jornal O Sul
