HIV: dois novos casos de cura são anunciados; total chega a 13

Médicos anunciaram dois novos casos de possível cura do HIV. Os pacientes interromperam o uso de antirretrovirais e, até o momento, o vírus não voltou a ser detectado nos exames, aumentando para 13 o número de casos de cura ou remissão registrados pela Sociedade Internacional de Aids (IAS).

Os dois casos serão apresentados durante a 26ª Conferência Internacional sobre AIDS, realizada nesta semana no Rio de Janeiro.

Um dos pacientes, conhecido como "paciente de Kansas City", está há 14 meses sem tratamento. Diagnosticado com HIV e uma forma agressiva de leucemia em 2018, ele recebeu um transplante de células-tronco de uma doadora com uma rara mutação genética, chamada CCR5-delta32, que dificulta a entrada do vírus nas células do organismo.

Após o transplante e um reforço de células-tronco devido a complicações, os medicamentos foram suspensos em fevereiro de 2025. Desde então, os exames não identificaram o vírus no sangue nem células capazes de reiniciar a infecção.

O segundo paciente também recebeu um transplante de células-tronco de um doador com a mesma mutação genética. O caso era considerado mais complexo porque ele apresentava diferentes variantes do HIV. Um ano após interromper os antirretrovirais, o vírus continua indetectável, sem sinais de material genético completo capaz de se multiplicar.

No entanto, após a suspensão dos medicamentos, a hepatite B, que também era controlada pelo tratamento, voltou a se multiplicar poucas semanas depois.

Apesar dos resultados promissores, os especialistas destacam que ainda é cedo para afirmar que os pacientes estão definitivamente curados. O termo mais utilizado é "remissão sustentada do HIV sem antirretrovirais", já que ainda não existe um exame capaz de confirmar a eliminação total do vírus do organismo.

Segundo especialistas, é necessário um acompanhamento de pelo menos dois anos sem medicamentos para fortalecer as evidências de remissão. Eles também reforçam que pessoas vivendo com HIV não devem interromper o tratamento por conta própria, pois, na maioria dos casos, o vírus volta a se multiplicar rapidamente.

Fonte: Jornal O Sul