Feira de aviação de Farnborough começa com encomendas da Boeing e da Airbus e foco na defesa aérea


Por Joanna Plucinska e Dan Catchpole e Shivansh Tiwary

A feira de aviação de Farnborough, na Inglaterra, começou nesta segunda-feira, com a Boeing e a Airbus garantindo as primeiras encomendas de aeronaves, enquanto empresas do setor de defesa apresentaram mísseis interceptadores e drones de custo reduzido, à medida que as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio impulsionam a demanda por capacidades de defesa aérea mais robustas.

Os conflitos em curso estão moldando as discussões no Salão Aeronáutico de Farnborough, que ocorre de 20 a 24 de julho, um dos maiores eventos aeroespaciais e de defesa do mundo, reunindo centenas de empresas das áreas de aviação comercial, propulsão e tecnologia militar — desde caças não tripulados e mísseis hipersônicos até satélites espiões e sistemas de armas com inteligência artificial.

“Estamos em um momento de instabilidade geopolítica em todo o mundo”, disse o presidente-executivo do Farnborough International Airshow, Gareth Rogers, embora tenha acrescentado que as empresas continuam otimistas. “Minha opinião é que parece haver um certo boom contínuo nos pedidos comerciais. Quais serão os números, eu não sei.”

A abertura desta segunda-feira também coincide com o primeiro dia no cargo do primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, que poderá comparecer ao evento ainda nesta semana.

Os negócios comerciais foram liderados pelo pedido da empresa de leasing irlandesa SMBC Aviation Capital de 100 jatos Boeing 737 MAX e pela compra de seis Airbus A350-1000 pela Ryadh Air. A Boeing também garantiu encomendas de 15 787-10 Dreamliners da Philippine Airlines e 28 787 adicionais da Ryadh Air, enquanto companhias aéreas e empresas de leasing anunciaram importantes compromissos relativos a motores para futuras frotas da Airbus e da Boeing. A SMBC também deve encomendar cerca de 100 jatos de corredor único da Airbus, segundo fontes.

Além dos acordos desta semana, os fabricantes de aeronaves e de motores estão debatendo uma das maiores decisões do setor para a próxima década: quando e como substituir as famílias mais vendidas do Boeing 737 e do Airbus A320neo.

Executivos de companhias aéreas alertaram, nesta segunda-feira, a Boeing e a Airbus para que não apressem o lançamento de uma nova geração de jatos comerciais sem garantir que sua tecnologia esteja suficientemente madura.

A Airbus apoiou o conceito de motor “open fan” da CFM , que promete uma redução de até 20% no consumo de combustível, enquanto a Boeing adotou uma abordagem mais cautelosa, favorecendo projetos de motores convencionais e mantendo suas opções em aberto.

Enfatizando o foco do setor na tecnologia de propulsão, a GE Aerospace anunciou na segunda-feira que havia se unido à Nasa e à BETA Technologies para realizar o primeiro voo de alta altitude do mundo com assistência de propulsão híbrida-elétrica.

DEFESA AÉREA EM DESTAQUE

As empresas de defesa representaram metade do número recorde de 1.600 expositores na feira deste ano, destacando uma mudança em relação às raízes na aviação comercial de um evento que começou em 1948 como uma vitrine para a tecnologia aeroespacial britânica.

Essa mudança reflete como os conflitos, da Ucrânia ao Oriente Médio, transformaram as prioridades de gastos e aceleraram a demanda por novas tecnologias de defesa.

A Lockheed Martin anunciou nesta segunda-feira um interceptador Patriot de custo reduzido, à medida que Forças Armadas buscam formas mais econômicas de combater drones e mísseis, enquanto as empresas do setor de defesa enfrentam a concorrência de startups que fabricam armas de baixo custo que podem ser produzidas em grande escala.

A Lockheed informou que seu novo míssil PAC-3 Adapted Capability Effector, ou ACE, custaria menos da metade do preço de seus interceptores PAC-3 MSE, que custam cerca de US$4 milhões por míssil, de acordo com documentos orçamentários do Exército dos Estados Unidos.

A fabricante europeia de mísseis MBDA também anunciou que está lançando um interceptador para combater ataques de grande número de munições de baixo custo, como drones.

O administrador da Nasa, Jared Isaacman, disse à Reuters que a agência continua no caminho certo para a missão Artemis 3 do próximo ano — um teste fundamental de acoplamento orbital e módulos de pouso lunar necessários para futuros pousos tripulados na Lua —, apesar de uma explosão envolvendo um foguete não tripulado da Blue Origin durante um teste na plataforma de lançamento em maio.

(Reportagem de Joanna Plucinska, Dan Catchpole, Shivansh Tiwary, Tim Hepher, Joe Brock, Cassell Bryan-Low, David Shepardson e Sarah Young)