Asma: substituir o fogão a gás pode ajudar tanto quanto alguns medicamentos
Um estudo apontou que a substituição de fogões a gás por modelos elétricos de indução pode melhorar significativamente o controle da asma em pessoas com a doença de difícil controle. A pesquisa avaliou o impacto da redução da exposição ao dióxido de nitrogênio (NO₂), um poluente liberado durante a queima do gás natural e associado ao agravamento de problemas respiratórios.
Nos Estados Unidos, mais de um terço das residências utiliza fogões a gás para cozinhar. Além do dióxido de carbono, que contribui para as mudanças climáticas, a queima do combustível libera dióxido de nitrogênio e outros poluentes que podem comprometer a qualidade do ar dentro das casas e irritar as vias respiratórias.
O estudo acompanhou 85 adultos e crianças com asma de difícil controle que utilizavam fogões a gás em suas residências. Os equipamentos foram substituídos gratuitamente por fogões elétricos de indução, enquanto as tubulações de gás foram vedadas.
Após dois a três meses da troca, os pesquisadores avaliaram novamente os sintomas dos participantes, incluindo limitações nas atividades diárias, necessidade de medicamentos de resgate e frequência de crises.
Os resultados mostraram uma melhora significativa: em média, os participantes passaram de um quadro de sintomas moderados para leves. As visitas a pronto-socorros e internações tiveram redução de cerca de 70%, enquanto as faltas ao trabalho e à escola diminuíram aproximadamente 80%. Os níveis de dióxido de nitrogênio dentro das residências também caíram em torno de 70%.
Além da melhora na saúde, a aceitação dos novos equipamentos foi alta. Cerca de 98% dos participantes afirmaram estar satisfeitos com os fogões de indução, contra 41% que demonstravam satisfação com os modelos a gás.
Os pesquisadores destacam, porém, que o estudo possui limitações, como o número reduzido de participantes, o curto período de acompanhamento e a ausência de um grupo de comparação que continuasse utilizando fogões a gás.
Um dos principais desafios para a adoção em larga escala é o custo da substituição. Em casas mais recentes nos Estados Unidos, a instalação de um fogão elétrico pode custar cerca de US$ 1.500, enquanto residências antigas podem exigir adaptações na rede elétrica, elevando o investimento para milhares de dólares.
Apesar disso, especialistas avaliam que a redução de atendimentos médicos e internações pode justificar programas de incentivo para auxiliar famílias na troca dos equipamentos. Experiências internacionais, como um programa realizado no Equador que substituiu fogões a gás por modelos de indução em centenas de milhares de residências, indicam possível redução de problemas respiratórios.
A substituição do fogão não elimina a necessidade de tratamento médico e não substitui medicamentos ou acompanhamento especializado. Entretanto, os pesquisadores apontam que reduzir a exposição a poluentes domésticos pode ser uma estratégia complementar para pessoas com asma de difícil controle.
Fonte: Jornal O Sul
