Alzheimer: cientistas relatam caso de melhora de paciente de 80 anos após uso de psilocibina
Pesquisadores brasileiros publicaram um relato de caso sobre uma paciente de 80 anos com doença de Alzheimer que apresentou melhora em alguns indicadores após receber tratamento com psilocibina, substância psicodélica encontrada em alguns fungos conhecidos como “cogumelos mágicos”.
O estudo, divulgado na revista científica Frontiers in Neuroscience Neuropharmacology, acompanha apenas uma paciente e não comprova a eficácia ou a segurança da psilocibina como tratamento para Alzheimer. Segundo os pesquisadores, o relato serve como uma observação inicial que pode ajudar a orientar novos estudos com grupos maiores de pacientes.
A paciente apresentava um quadro avançado da doença após cerca de dez anos de evolução, com redução significativa da fala, baixa interação social, dificuldades de locomoção, problemas para engolir alimentos e dependência para atividades do dia a dia.
Durante o experimento, ela recebeu uma dose oral de 5 gramas de cogumelos contendo psilocibina. Cerca de 19 horas após a administração, os pesquisadores relataram que a paciente iniciou espontaneamente uma conversa autobiográfica que durou várias horas.
Nas semanas seguintes, foram observadas melhorias como recuperação da continência urinária, aumento da comunicação espontânea, melhora da mobilidade e maior interação emocional e social.
Um mês depois, a paciente recebeu uma segunda dose, de 3 gramas. De acordo com o estudo, após a nova aplicação houve manutenção dos avanços observados, além de maior expressividade verbal, melhora do humor e mais agilidade nos movimentos.
Os pesquisadores apontam que uma possível explicação para os efeitos envolve a capacidade da psilocibina de modificar temporariamente a atividade das redes cerebrais, podendo favorecer processos relacionados à reorganização neural.
Apesar dos resultados, os autores destacam que o estudo possui limitações importantes, como o número reduzido de participantes, a ausência de grupo de comparação e a falta de exames mais avançados para acompanhar as alterações no cérebro.
Segundo os pesquisadores, não é possível estabelecer uma relação direta de causa e efeito entre o uso da substância e as melhorias observadas. O caso deve ser considerado principalmente como uma hipótese para futuras pesquisas controladas sobre o potencial da psilocibina em doenças neurodegenerativas.
Fonte: Jornal O Sul
