Trump critica táticas de Israel no Líbano e afirma que país está matando civis


 Por Humeyra Pamuk

WASHINGTON, 16 Jun (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez nesta terça-feira uma rara crítica pública às táticas militares de Israel no Líbano contra militantes do Hezbollah, afirmando que não é necessário bombardear prédios residenciais inteiros para caçar militantes.

Trump, que nos últimos dias havia expressado seu descontentamento com os ataques israelenses em Beirute -- que, segundo ele, poderiam ter colocado em risco seu acordo de paz com o Irã --, disse que Israel vem combatendo o Hezbollah, a milícia libanesa aliada ao Irã, há “muito tempo”.

“Muitas pessoas foram mortas. Não é preciso destruir um prédio residencial toda vez que se está procurando alguém, porque há muitas pessoas nesses prédios, e nem todas são do Hezbollah”, disse Trump na cúpula do G7, na França.

Sua reclamação surge em um momento de tensões crescentes com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que continua sendo um importante aliado político, apesar dos ocasionais altos e baixos entre os dois líderes ao longo dos anos.

Recentemente, as tensões têm se tornado mais evidentes. Autoridades israelenses vêm expressando discretamente sua frustração com o acordo firmado pelo presidente norte-americano com o Irã, enquanto Trump se mostra cada vez mais impaciente com Netanyahu em relação aos ataques israelenses a Beirute, que desencadearam resposta iraniana justamente enquanto ele trabalhava para finalizar o acordo de paz.

Trump disse ter um “ótimo relacionamento” com Netanyahu, mas, na mesma frase, acrescentou que ele deveria ser “mais responsável” em relação ao Líbano. “Sem nós, sem os Estados Unidos, não haveria Israel. Sem mim, não haveria Israel, porque nenhum outro presidente estava disposto a fazer o que eu fiz.”

(Reportagem de Humeyra Pamuk)