Melhor que qualquer “hacker” humano: o que é o novo modelo de inteligência artificial que assusta o sistema financeiro


Nas últimas semanas, o debate sobre inteligência artificial ganhou força após declarações da empresa Anthropic sobre seu novo modelo, o Claude Mythos. Segundo a companhia, o sistema teria alcançado desempenho avançado em tarefas de segurança cibernética, chegando a superar humanos em alguns testes de hacking e detecção de vulnerabilidades.

A divulgação gerou preocupação entre reguladores, parlamentares e instituições financeiras, que passaram a discutir possíveis riscos do modelo para sistemas digitais críticos. Em resposta, grandes empresas de tecnologia receberam acesso ao Mythos por meio do chamado Project Glasswing, iniciativa criada para testar e reforçar a segurança contra possíveis falhas exploráveis pela própria IA.

A Anthropic também anunciou a expansão do acesso ao modelo para cerca de 150 instituições de setores como energia, saúde, água, comunicações e infraestrutura, sob critérios rigorosos de segurança.

Apesar das afirmações da empresa, parte dos especialistas mantém ceticismo sobre a real capacidade do Mythos, levantando a possibilidade de exagero nas declarações. O tema chegou a ser discutido em reuniões internacionais, incluindo encontros do Fundo Monetário Internacional (FMI), devido ao impacto potencial no sistema financeiro global.

De acordo com relatos técnicos divulgados pela própria empresa, testes internos indicam que o modelo seria capaz de identificar vulnerabilidades graves em sistemas antigos e até explorar falhas com pouca supervisão. Em contrapartida, especialistas em cibersegurança alertam que sua eficácia pode ser maior em sistemas mal protegidos, sem representar necessariamente uma ameaça incontrolável.

Autoridades como o Banco da Inglaterra e o governo do Canadá já demonstraram preocupação e afirmaram estar acompanhando de perto os desdobramentos.

Para analistas, ainda não há consenso sobre o real alcance do Mythos. Enquanto alguns veem um avanço significativo nas capacidades de IA aplicada à segurança, outros apontam que parte do discurso pode refletir estratégias de marketing do setor.

Especialistas reforçam que, independentemente do modelo, a maior parte das invasões cibernéticas ainda ocorre por falhas básicas de segurança, e não por ferramentas avançadas de inteligência artificial.

Fonte: Jornal O Sul