Câncer de pele: pesquisa testa novo tratamento que pode reduzir tumores sem cirurgia invasiva
Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas desenvolvem uma terapia inovadora para o tratamento do câncer de pele não melanoma, o tipo mais frequente no Brasil. A técnica combina um complexo de prata com a nimesulida, um anti-inflamatório, e pode reduzir a necessidade de cirurgias invasivas.
Nos testes preliminares, a substância foi aplicada diretamente sobre a pele por meio de um patch adesivo, apresentando resultados promissores na redução e até desaparecimento de tumores em animais, sem causar danos às células saudáveis.
O tratamento é voltado principalmente ao carcinoma de células escamosas cutâneo, doença que costuma atingir regiões expostas ao sol, como nariz, orelhas e lábios. Atualmente, o tratamento convencional exige a remoção cirúrgica do tumor, procedimento que pode causar mutilações, cicatrizes e comprometer funções como fala e mastigação.
A pesquisa está em desenvolvimento há 12 anos e já entrou na fase clínica, com testes em humanos realizados no Hospital de Clínicas da Unicamp. A primeira etapa avalia a segurança e a dosagem ideal do composto, enquanto a segunda fase deverá envolver entre 20 e 30 pacientes.
Segundo os pesquisadores, a prata possui potencial antitumoral, enquanto a nimesulida atua no processo inflamatório que favorece o crescimento do câncer. A combinação dos dois compostos mostrou ação seletiva contra células tumorais, preservando tecidos saudáveis.
Caso os resultados sejam positivos, a técnica poderá ser submetida à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nos próximos anos, abrindo caminho para uma alternativa menos invasiva no tratamento do câncer de pele.
Fonte: Jornal O Sul
