Saiba o que acontece se você comer proteína demais
O consumo de proteínas ganhou destaque nos últimos anos e se tornou tendência nas redes sociais, com influenciadores e marcas reforçando a ideia de que mais proteína significa mais saúde e melhores resultados físicos. Suplementos, shakes e produtos enriquecidos passaram a ocupar espaço crescente nas dietas. Mas especialistas alertam: consumir proteína além do necessário nem sempre traz benefícios.
A proteína desempenha funções fundamentais no organismo. Ela participa da formação dos músculos, produção de hormônios e enzimas, atua no sistema imunológico e também pode servir como fonte de energia.
Apesar da popularização do tema, pesquisas indicam que grande parte das pessoas já consome quantidades adequadas de proteína diariamente. Em adultos, a recomendação média gira em torno de 0,75 a 0,84 grama por quilo corporal por dia, podendo aumentar em situações específicas, como para praticantes de musculação e treinos intensos.
Para quem busca ganho de massa muscular, uma ingestão de até 1,6 grama por quilo pode trazer benefícios. Acima desse nível, porém, os estudos apontam que não há ganhos adicionais relevantes para força ou crescimento muscular.
Proteína em excesso pode trazer consequências
Ao contrário do que muitos imaginam, o excesso de proteína não é simplesmente eliminado pelo organismo. Como ela também fornece energia, o consumo exagerado aumenta a ingestão calórica total e o excedente pode ser armazenado em forma de gordura corporal.
Além disso, algumas condições exigem maior cuidado. Pessoas com doenças renais, por exemplo, precisam monitorar a ingestão proteica para evitar sobrecarga nos rins.
Especialistas também citam uma condição rara chamada "intoxicação por proteína", conhecida popularmente como "fome do coelho". O problema ocorre quando a alimentação é composta quase exclusivamente por proteínas, com ingestão insuficiente de gorduras, carboidratos e outros nutrientes essenciais.
A origem da proteína faz diferença
Especialistas destacam que o tipo de proteína consumida pode ser tão importante quanto a quantidade.
Fontes vegetais, como feijão, lentilha e grãos integrais, têm sido associadas a benefícios como:
– Menor risco de diabetes tipo 2;
– Redução do risco de alguns tipos de câncer;
– Melhora dos níveis de colesterol;
– Maior ingestão de fibras alimentares.
Já o consumo elevado de proteínas de origem animal, especialmente carnes com maior teor de gordura saturada, tem sido relacionado a maior risco de doenças crônicas e problemas cardiovasculares.
As fibras presentes em muitas fontes vegetais também desempenham papel importante na saúde intestinal e ajudam na prevenção de doenças.
Equilíbrio é o principal fator
Especialistas reforçam que proteínas, carboidratos e gorduras exercem funções complementares no organismo. Em vez de focar apenas no aumento do consumo proteico, a recomendação é buscar equilíbrio alimentar e variedade de nutrientes para manter a saúde e o funcionamento adequado do corpo.
Fonte: Jornal O Sul
