Hantavírus acende alerta global, mas cenário no Brasil é diferente
Um surto recente de hantavírus registrado em um navio que partiu da Argentina com destino à África voltou a chamar atenção para a doença, conhecida pela alta taxa de letalidade. Apesar da preocupação, especialistas reforçam que a transmissão entre pessoas é considerada rara e que, até o momento, não há relação entre os casos registrados no Brasil e o episódio internacional.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, desde a identificação do primeiro caso no país, em 1993, até dezembro de 2025, foram confirmados 2.412 casos e 926 mortes por hantavírus. Em 2026, sete casos e uma morte já foram registrados no Brasil.
Como ocorre a transmissão
A principal forma de contágio acontece por meio do contato com urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados. A contaminação ocorre principalmente quando essas secreções secam e partículas contaminadas ficam suspensas no ar, sendo inaladas por pessoas durante atividades como limpeza de locais fechados, galpões ou áreas infestadas.
Também há possibilidade de transmissão por contato direto com lesões na pele ou mordidas de animais infectados.
Especialistas ressaltam que a doença não é transmitida pelos ratos urbanos comuns. No Brasil, os principais reservatórios do vírus são espécies de roedores silvestres presentes em áreas rurais e regiões de mata.
Entre eles estão:
– Oligoryzomys nigripes, associado ao vírus Juquitiba;
– Necromys lasiurus, encontrado principalmente em áreas de Cerrado;
– Espécies dos gêneros Akodon, identificadas como reservatórios secundários em regiões do Sul e Sudeste.
Segundo a infectologista Jessica Ramos, do Hospital Sírio-Libanês, a maior parte das infecções ocorre durante atividades agrícolas, limpeza de depósitos, construções e trabalhos realizados em ambientes que acumulam poeira e apresentam presença de roedores.
Transmissão entre pessoas é rara
Casos de transmissão entre humanos são considerados incomuns. Segundo estudos médicos, os registros conhecidos envolvem principalmente a cepa Andes, encontrada na Argentina e no Chile.
De acordo com especialistas, o ambiente fechado do navio pode ter favorecido esse tipo de transmissão após o primeiro caso ter sido contraído em terra, por contato com roedores silvestres.
Sintomas
Os sintomas geralmente aparecem entre uma e oito semanas após a exposição ao vírus e podem inicialmente ser confundidos com outras doenças, como gripe ou dengue.
Os sinais mais comuns incluem:
– Febre;
– Dor muscular;
– Dor de cabeça;
– Mal-estar geral.
O principal sinal de alerta ocorre quando surgem sintomas respiratórios, como tosse seca, dificuldade para respirar e queda da pressão arterial, quadro que pode evoluir rapidamente.
Fonte: Jornal O Sul
