Corrente do Atlântico vai perder metade da força até o fim do século. Redução e até a paralisação de circulação oceânica essencial para equilibrar o clima global pode afetar biomas brasileiros
Novos estudos científicos reforçam um alerta preocupante sobre os impactos das mudanças climáticas nos oceanos. Pesquisadores apontam que a grande corrente oceânica do Atlântico, conhecida como Amoc (Corrente Meridional de Revolvimento do Atlântico), pode perder cerca de metade de sua força até o fim deste século e, em um cenário mais extremo, até mesmo entrar em colapso.
A Amoc é considerada uma das estruturas mais importantes do sistema climático global, funcionando como uma espécie de "esteira transportadora" de calor pelos oceanos. Ela move águas quentes das regiões tropicais para o Atlântico Norte e leva águas frias de volta para o sul, ajudando a regular temperaturas e padrões climáticos em diferentes partes do planeta.
Durante muitos anos, modelos climáticos já indicavam a possibilidade de enfraquecimento dessa corrente devido ao aquecimento global. No entanto, havia grande margem de incerteza sobre quando e com qual intensidade isso poderia acontecer.
Um estudo recente liderado por pesquisadores da Universidade de Bordeaux, na França, reduziu parte dessa incerteza ao incorporar novas observações reais aos modelos climáticos. O resultado indica que a Amoc pode sofrer uma redução de aproximadamente 51% até o ano de 2100, com margem de erro de cerca de 8%, mesmo que os países cumpram os compromissos atuais de redução das emissões de dióxido de carbono (CO₂).
Pesquisas anteriores estimavam uma redução próxima de 32%, mas apresentavam uma margem de erro muito maior. Segundo os cientistas, os estudos antigos subestimavam fatores importantes, como o derretimento acelerado das geleiras da Groenlândia e alterações na salinidade do Atlântico Sul.
O derretimento das massas de gelo despeja grandes quantidades de água doce no oceano. Esse processo reduz a salinidade da água e altera sua densidade, dificultando o afundamento das águas frias no Atlântico Norte — mecanismo considerado essencial para manter a circulação funcionando.
Os especialistas alertam que mudanças na Amoc podem gerar impactos severos em diferentes regiões do planeta. A corrente desempenha papel importante na suavização dos invernos europeus ao transportar calor para o norte do planeta. Também influencia a temperatura em áreas tropicais, trazendo águas mais frias para regiões próximas ao Brasil e à África.
Além disso, a corrente possui forte influência sobre os padrões de chuva globais. Simulações apontam que seu enfraquecimento poderia provocar secas severas no norte da Amazônia, expansão de áreas desérticas no continente africano e alterações no regime de chuvas em partes do Nordeste brasileiro, aumentando a ocorrência de eventos extremos.
Pesquisas sobre sedimentos marinhos também indicam que a Amoc permaneceu estável pelos últimos 6.500 anos. A última interrupção significativa desse sistema teria ocorrido há mais de 10 mil anos, em um período em que o planeta possuía condições climáticas completamente diferentes das atuais.
Especialistas afirmam que os resultados não representam um cenário imediato de colapso, mas reforçam a necessidade de atenção às mudanças climáticas e seus impactos globais de longo prazo.
Fonte: Jornal O Sul
A Amoc é considerada uma das estruturas mais importantes do sistema climático global, funcionando como uma espécie de "esteira transportadora" de calor pelos oceanos. Ela move águas quentes das regiões tropicais para o Atlântico Norte e leva águas frias de volta para o sul, ajudando a regular temperaturas e padrões climáticos em diferentes partes do planeta.
Durante muitos anos, modelos climáticos já indicavam a possibilidade de enfraquecimento dessa corrente devido ao aquecimento global. No entanto, havia grande margem de incerteza sobre quando e com qual intensidade isso poderia acontecer.
Um estudo recente liderado por pesquisadores da Universidade de Bordeaux, na França, reduziu parte dessa incerteza ao incorporar novas observações reais aos modelos climáticos. O resultado indica que a Amoc pode sofrer uma redução de aproximadamente 51% até o ano de 2100, com margem de erro de cerca de 8%, mesmo que os países cumpram os compromissos atuais de redução das emissões de dióxido de carbono (CO₂).
Pesquisas anteriores estimavam uma redução próxima de 32%, mas apresentavam uma margem de erro muito maior. Segundo os cientistas, os estudos antigos subestimavam fatores importantes, como o derretimento acelerado das geleiras da Groenlândia e alterações na salinidade do Atlântico Sul.
O derretimento das massas de gelo despeja grandes quantidades de água doce no oceano. Esse processo reduz a salinidade da água e altera sua densidade, dificultando o afundamento das águas frias no Atlântico Norte — mecanismo considerado essencial para manter a circulação funcionando.
Os especialistas alertam que mudanças na Amoc podem gerar impactos severos em diferentes regiões do planeta. A corrente desempenha papel importante na suavização dos invernos europeus ao transportar calor para o norte do planeta. Também influencia a temperatura em áreas tropicais, trazendo águas mais frias para regiões próximas ao Brasil e à África.
Além disso, a corrente possui forte influência sobre os padrões de chuva globais. Simulações apontam que seu enfraquecimento poderia provocar secas severas no norte da Amazônia, expansão de áreas desérticas no continente africano e alterações no regime de chuvas em partes do Nordeste brasileiro, aumentando a ocorrência de eventos extremos.
Pesquisas sobre sedimentos marinhos também indicam que a Amoc permaneceu estável pelos últimos 6.500 anos. A última interrupção significativa desse sistema teria ocorrido há mais de 10 mil anos, em um período em que o planeta possuía condições climáticas completamente diferentes das atuais.
Especialistas afirmam que os resultados não representam um cenário imediato de colapso, mas reforçam a necessidade de atenção às mudanças climáticas e seus impactos globais de longo prazo.
Fonte: Jornal O Sul
