A maioria das pessoas acredita em ao menos um dos 6 mitos de saúde mais comuns, mostra pesquisa
O avanço da desinformação em saúde deixou de ser um problema restrito a pequenos grupos e passou a atingir uma parcela ampla da população mundial. Um levantamento do Relatório Especial 2026 Edelman Trust Barometer sobre Confiança e Saúde, realizado com mais de 16 mil pessoas em 16 países, revelou que sete em cada dez entrevistados acreditam em pelo menos uma informação falsa relacionada à saúde.
Entre as crenças equivocadas mais aceitas estão afirmações de que proteínas animais seriam mais saudáveis, que o flúor na água não traz benefícios, que os riscos das vacinas infantis superariam seus benefícios e até teorias sobre vacinas serem usadas para controle populacional.
Os dados chamaram atenção porque desmontam a ideia de que a desinformação estaria concentrada apenas em grupos específicos. Os resultados mostraram índices semelhantes entre pessoas com e sem ensino superior, além de atravessar diferentes posições políticas, idades e classes sociais. O fenômeno também se mostrou mais intenso em países em desenvolvimento.
Especialistas apontam que o cenário está ligado a um desgaste gradual da confiança social. Medos, inseguranças e polarização teriam criado um ambiente de maior isolamento e desconfiança entre grupos, fortalecendo um comportamento mais tribal, em que pessoas tendem a confiar apenas em quem compartilha das mesmas crenças e valores.
Ao mesmo tempo, a confiança das pessoas na própria capacidade de encontrar informações seguras sobre saúde caiu significativamente. Hoje, apenas 51% dos entrevistados dizem confiar em sua habilidade para tomar decisões informadas sobre o tema, enquanto a credibilidade da mídia na cobertura de assuntos de saúde permanece abaixo dos níveis registrados antes da pandemia.
Nesse contexto, a inteligência artificial começa a ocupar um espaço cada vez maior. Cerca de 35% dos participantes afirmaram já utilizar ferramentas de IA para auxiliar em decisões relacionadas à saúde, e muitos acreditam que sistemas inteligentes podem desempenhar determinadas funções médicas com eficiência semelhante ou superior à de profissionais da área.
Fonte: Jornal O Sul
