Microsoft diz que o Copilot é só para entretenimento e não deve ser usado para decisões importantes
Poucos dias depois de começar a remover o botão da IA (inteligência artificial) do Windows 11, a Microsoft mudou o tom sobre o uso do Copilot no dia a dia. A empresa vendeu a ferramenta de inteligência artificial como solução definitiva para a produtividade nos escritórios, mas a realidade das letras miúdas conta uma história diferente. Os termos de uso oficiais da fabricante agora classificam o assistente virtual como um produto lúdico, por assim dizer.
A manobra jurídica serve para tirar o peso das costas da companhia, como observa a newsletter ICYMI, do site TechRadar. Ou seja, se o trabalhador comete um erro grave por causa de uma alucinação da máquina, a culpa recai de forma exclusiva sobre o usuário.
A gigante da tecnologia usa a mesma estratégia de proteção legal já adotada por marcas como a criadora do ChatGPT em seus contratos. Os termos cravam a isenção de forma clara:
“O Copilot é apenas para fins de entretenimento. Ele pode cometer erros e pode não funcionar como pretendido. Não confie no Copilot para conselhos importantes. Use o Copilot por sua própria conta e risco”.
Marcas como Google e Anthropic também adotam avisos parecidos em seus contratos de serviço, e essa é uma prática comum até em apps de outra natureza, como ferramentas de terapia virtual, aplicativos de amizade e até assistentes de romance. A indústria sabe que a tecnologia vai errar em algum momento e os desenvolvedores fazem de tudo para empurrar o risco da falha para o consumidor final.
Mudança de foco e o fim da bolha
Essa cautela nos contratos contrasta com a montanha de dinheiro que o setor movimenta de verdade. A OpenAI, criadora do ChatGPT, soma receita gigantesca em negócios que incluem, também, a integração sistemas de ponta para outros negócios. A estratégia de lucro foge do usuário comum que busca receitas de bolo na madrugada e mira nos clientes com bolsos bem mais fundos: outras empresas.
Essa capacidade de gerar dinheiro real afasta a ideia de uma bolha passageira de empolgação da internet, ao menos em partes. A tecnologia ganha espaço como um serviço vital para grandes corporações. O que é curioso é que tudo indica que o movimento é inverso ao tradicional em novas tecnologias: primeiro chegou em preso para o usuário final, para depois focar no corporativo.
Pior para a pessoa física que se acostumou com a ferramenta, porque essa troca de foco aponta para um cenário de custos mais altos e regras mais rígidas para as contas gratuitas em um futuro próximo. As informações são do site Tudo Celular.
Fonte: Jornal O Sul.
