Festival de Cannes anuncia sua seleção deste ano, sem Brasil, e com filme Pedro Almodóvar
Neste ano não há filmes essencialmente brasileiros na programação do festival, ainda que o país apareça como coprodutor de “Elefantes da Névoa”, do nepalês Abinash Bikram Shah, exibido na mostra paralela Um Certo Olhar. Nepal, Alemanha, França e Noruega também produzem o longa.
No ano passado, “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, venceu os prêmios de melhor direção e melhor ator, para Wagner Moura. O país também foi tema no Mercado do Filme, espaço do evento dedicado a negócios.
O Brasil teve presença recorrente em Cannes nos últimos anos, dentro e fora da competição pela Palma de Ouro. Karim Aïnouz exibiu filmes como “Motel Destino”, “Firebrand” e “Marinheiro das Montanhas”, e Mendonça Filho, “Retratos Fantasmas”, “Bacurau” e “Aquarius”.
O sul-coreano Park Chan-wook será presidente do júri em uma edição com fortes candidatos asiáticos. Kore-eda passou pela competição do festival em 2023 com “Monster”, e saiu com os prêmios de roteiro e a Palma Queer, dedicada a filmes com a temática LGBTQIA+. Já Hamaguchi, um dos cineastas japoneses mais respeitados da atualidade, venceu o Oscar de melhor filme internacional em 2022, com “Drive My Car”.
Disputa a Palma de Ouro também “Parallel Tales”, do iraniano Asghar Farhadi, vencedor de duas estatuetas do Oscar, em 2011 e 2016, por “A Separação” e “O Apartamento”. Farhadi gravou o novo filme na França para evitar a censura do regime iraniano, que vem intensificando a perseguição a artistas e cineastas críticos ao regime dos aiatolás.
Sua presença na Croisette acontece depois de seu compatriota Jafar Panahi ser coroado com a Palma de Ouro no ano passado, por “Foi Apenas Um Acidente”, sobre a repressão no país persa.
Ecoa, neste ano, a ausência dos grandes estúdios americanos na programação. “Dia D”, de Steven Spielberg, que fará sua estreia global pouco mais de duas semanas depois do festival e, por isso, era cotado como uma possível presença, não vai passar pelo evento. O lapso gerou certa decepção, já que o cineasta teve passagens memoráveis pelo festival —em 1982, “E.T.: O Extraterrestre” teve sua primeira exibição mundial na Croisette e, em 2013, Spielberg presidiu o júri que premiou “Azul É a Cor Mais Quente”.
O mesmo acontece com “Toy Story 5”, da Pixar, que historicamente costuma exibir seus novos títulos fora de competição, além de levar seus produtores para desfilarem no tapete vermelho francês.
No ano passado, por exemplo, “O Esquema Fenício”, de Wes Anderson e bancado pela Warner Bros., estava na competição principal, assim como “A História do Som”, da Universal. O desfecho da franquia “Missão: Impossível” ganhou uma sessão especial no festival, com a presença de Tom Cruise.
Hollywood será representada, neste ano, não por filmes, mas por Peter Jackson e Barbara Streisand, que vão receber a Palma de Ouro honorária por suas carreiras notáveis no cinema.
A ausência pode ser reflexo de um período turbulento em Hollywood, marcado por fusões —como a recente compra da Warner Bros. pela Paramount—, pela ameaça das salas de cinema frente ao streaming e por bilheterias instáveis de blockbusters. Em resposta a tudo isso, estúdios têm evitado se arriscar com novas histórias e optam por investir em franquias e remakes.
Veja abaixo os filmes da competição oficial:
– “Minotaur”, Andrey Zvyagintsev;
– “The Beloved,” Rodrigo Sorogoyen;
– “The Man I Love”, Ira Sachs;
– “Fatherland” Paweł Pawlikowski;
– “Moulin”, László Nemes;
– “Sotries of the Night”, Léa Mysius;
– “Fjord,” Cristin Mungiu;
– “Notre Salut,” Emmanuel Marre;
– “Gentle Monster”, Marie Kreutzer;
– “Nagi Notes”, Koji Fukada;
– “Hope”, Na Hong-Jin;
– “Sheep in the Box”, Hirokazu Kore-eda;
– “All of a Sudden”, Ryusuke Hamaguchi;
– “Garance”, Jeanne Herry;
– “The Unknown,” Arthur Harrari;
– “The Dreamed Adventure”, Valeska Grisebach;
– “Coward”, Lucas Dhont;
– “La Bola Negra”, Javier Ambrossi and Javier Calvo;
– “A Woman’s Life,” Charline Bourgeois-Taquet;
– “Parallel Tales”‘, Asghar Farhadi;
– “Natal Amargo”, Pedro Almodóvar.
As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
Fonte: Jornal O Sul.
