Planeta alienígena derretido e com atmosfera de enxofre exibe paisagem infernal única
Por Will Dunham
WASHINGTON, 16 Mar (Reuters) - Astrônomos avistaram um planeta orbitando uma estrela em nossa vizinhança na galáxia Via Láctea que apresenta uma paisagem infernal única: coberto por um oceano perpétuo de magma e envolvido por uma atmosfera nociva e ferozmente quente, rica em enxofre.
O diâmetro do planeta fundido é mais de 60% maior do que o da Terra, embora sua densidade seja de apenas 40% da do nosso planeta. Ele orbita uma estrela menor e mais fraca que o Sol, localizada a cerca de 34 anos-luz da Terra, na constelação de Volans. Um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, ou seja, 9,5 trilhões de quilômetros.
"O planeta não tem uma estrutura distinta em seu oceano de magma, portanto não há crosta, manto superior e manto inferior. O oceano de magma é uma única camada profunda e pastosa", disse Harrison Nicholls, pesquisador de pós-doutorado do Instituto de Astronomia da Universidade de Cambridge e principal autor da pesquisa publicada nesta segunda-feira na revista Nature Astronomy.
Pequenos cristais de rocha sólida podem estar presos dentro do magma fluido e turbulento que compõe o manto, disse Nicholls.
O núcleo metálico do planeta parece ser relativamente pequeno, com o oceano de magma compreendendo entre 70 a 90% do raio do interior do planeta -- atingindo uma profundidade que varia de 4.465 a 5.740 km.
Sua atmosfera espessa é composta principalmente de hidrogênio, mas tem um teor bem alto de enxofre. Cerca de 10% da atmosfera é composta pelo gás tóxico sulfeto de hidrogênio, que exala o mau cheiro de ovos podres. A atmosfera causou um efeito estufa descontrolado, prendendo o calor da estrela, o que mantém a superfície do planeta tão quente que ela permanece derretida.
"Seu nariz pode sentir o cheiro de sulfeto de hidrogênio em concentrações de algo como uma parte por bilhão, então isso seria extremamente fedorento. Mas você não sobreviveria por tempo suficiente nessa atmosfera quente para perceber", disse o cientista planetário e coautor do estudo Raymond Pierrehumbert, da Universidade de Oxford e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
A composição da atmosfera sugere um alto teor de enxofre no interior do planeta, disseram os pesquisadores.
"Não sabemos a composição exata do material fundido, mas nossa interpretação das observações sugere que o alto teor de enxofre provavelmente significaria uma composição mineralógica diferente da dos planetas do nosso sistema solar", disse Nicholls.
O planeta, denominado L 98-59 d, foi descoberto em 2019, depois observado pelo Telescópio Espacial James Webb em 2024 e por telescópios terrestres em 2025. Os pesquisadores usaram simulações avançadas de computador para reconstruir sua história, que abrange quase cinco bilhões de anos, o que o torna um pouco mais antigo que a Terra.
Ele orbita um tipo comum de estrela chamada anã vermelha. A massa da estrela tem pouco menos de 30% da massa do Sol e sua luminosidade é cerca de 1% da do Sol. Em termos de distância orbital, o L 98-59 d é o terceiro dos cinco planetas conhecidos que orbitam essa estrela.
Mais de 6.100 planetas além do nosso sistema solar, chamados de exoplanetas, foram descobertos desde a década de 1990, mas nenhum como esse. Sua combinação única de um oceano de magma e uma atmosfera carregada de enxofre o coloca em uma classe à parte, por enquanto.
Outros planetas derretidos são conhecidos, alguns orbitando tão perto de suas estrelas hospedeiras que suas superfícies são queimadas. Essa não é a dinâmica do L 98-59 d.
"Um ponto importante a ser reconhecido é que todos os planetas -- inclusive a Terra -- começam fundidos, mas esse permaneceu assim devido a uma combinação de fatores", disse Nicholls.
(Reportagem de Will Dunham)