“Livros terão de ser atualizados”: cientistas descobrem que Júpiter é menor do que se pensava

 


Dados recentes da missão Juno, da Nasa, indicam que Júpiter é ligeiramente menor e mais achatado do que estimativas anteriores apontavam. Após analisar informações de 13 sobrevoos do planeta e incorporar os efeitos dos ventos zonais – correntes atmosféricas intensas que influenciam sua forma – cientistas concluíram que Júpiter é cerca de 8 quilômetros mais estreito no equador e aproximadamente 24 quilômetros mais achatado nos polos.

Segundo as observações de Juno, Júpiter tem um diâmetro equatorial de 142.976 km (88.841 milhas), aproximadamente 8 km (5 milhas) menor do que as medições anteriores indicavam. Além disso, foi apontado também que, o diâmetro de Júpiter, do polo norte ao polo sul, é de 133.684 km (83.067 milhas), cerca de 24 km (15 milhas) menor do que o estimado.

Assim como a Terra, Júpiter não é uma esfera circular perfeita, mas sim um pouco achatado — e, com base nos novos dados, estima-se que seja cerca de 7% maior no equador do que nos polos.

Para efeito de comparação, o diâmetro do equador da Terra é apenas 0,33% maior do que o seu diâmetro nos polos.

As medições anteriores de Júpiter baseavam-se em dados coletados pelas sondas robóticas Voyager e Pioneer da Nasa no final da década de 1970. A Juno, lançada em 2011, orbita Júpiter desde 2016, transmitindo dados brutos de volta à Terra.

A Nasa estendeu a missão Juno em 2021, dando aos cientistas a oportunidade de realizar o tipo de observações necessárias para refinar as medições de seu tamanho e forma, incluindo a observação da órbita atrás de Júpiter do ponto de vista da Terra.

“Quando a sonda Juno passou atrás de Júpiter, da perspectiva da Terra, seu sinal de rádio viajou pela atmosfera do planeta antes de chegar à Terra”, disse o cientista planetário Eli Galanti, do Instituto Weizmann de Ciências em Israel, principal autor do estudo publicado na revista Nature Astronomy.

“Medir como o sinal mudava devido à composição atmosférica, densidade e temperatura de Júpiter nos permitiu sondar a atmosfera e determinar o tamanho e a forma do planeta com alta precisão. Curiosamente, essa configuração geométrica não ocorreu durante a missão principal da Juno, então esses experimentos não estavam originalmente planejados”, disse Galanti.

A Terra, que é o terceiro planeta a partir do Sol no Sistema Solar, é um mundo rochoso relativamente pequeno.

Júpiter, o quinto planeta a partir do Sol, é tão imenso que todos os outros planetas caberiam dentro dele, incluindo mais de 1.300 Terras. Júpiter é composto principalmente de hidrogênio e hélio, com traços de outros gases. Ventos fortes, visíveis como listras, e algumas tempestades dominam a aparência colorida de Júpiter.

A sonda Juno tem coletado dados sobre a atmosfera de Júpiter, sua estrutura interna, seu campo magnético interno e sua magnetosfera, a região ao redor do planeta criada por seu magnetismo interno.

Novas medições precisas de Júpiter são úteis para os cientistas porque seu raio – uma medida que corresponde à metade de seu diâmetro – é uma referência fundamental usada em modelos do interior do planeta e de sua estrutura atmosférica.

“Júpiter é o maior planeta do Sistema Solar e contém a maior parte de sua massa planetária, portanto, entender sua composição e estrutura interna é fundamental para compreender como o sistema solar se formou e evoluiu. Júpiter provavelmente se formou no início e influenciou fortemente a distribuição de material, o crescimento de outros planetas e o fornecimento de substâncias voláteis para o sistema solar interno, incluindo a Terra”, disse Galanti.

Substâncias voláteis, como água, dióxido de carbono e amônia, evaporam facilmente. O transporte dessas substâncias para o sistema solar interno, onde se encontram os quatro planetas rochosos, era essencial, pois, segundo Galanti, elas “forneciam água e ingredientes fundamentais para a atmosfera e para a vida da Terra”.

Para Yohai Kaspi, coautor do estudo e cientista planetário do Instituto Weizmann de Ciências, em Israel, a pesquisa contribui diretamente para o entendimento da formação e da evolução dos planetas. Segundo ele, os novos dados são suficientes para justificar a atualização de materiais oficiais e livros didáticos. “Os livros didáticos precisarão ser atualizados. O tamanho de Júpiter não mudou, é claro, mas a forma como o medimos, sim.”

Fonte: Jornal O Sul.