Cerimônia do Oscar criticou a inteligência artificial, a indústria e cutucou Trump
“É uma honra ser o último apresentador humano do Oscar”, disse o apresentador Conan O’Brien no início de seu monólogo de abertura da noite de premiação. Não foi a única crítica ao uso da inteligência artificial no cinema. “Esta noite estamos celebrando pessoas, não a IA”, disse o ator Will Arnett ao apresentar o prêmio de animação.
O’Brien ironizou o CEO da Netflix, Ted Sarandos, presente na plateia: “É legal, pois é a primeira vez na vida em que ele vem a um teatro”, disse, fazendo referência às críticas de que a plataforma age para esvaziar as salas de cinema. Entre os alvos, ainda esteve a Amazon, que não teve nenhum filme indicado. O’Brien fez piada envolvendo a ausência de atores ingleses entre os indicados para o Oscar, dizendo que, ao menos, a Inglaterra sabe lidar com seus acusados no caso Jeffrey Epstein.
Violência
O presidente americano Donald Trump foi citado por David Borenstein, um dos diretores do documentário Um Zé Ninguém Contra Putin, vencedor da categoria. Ele comparou o presidente russo, Vladimir Putin, com o americano, no que se refere à violência dos governos. “Tenho sempre o desejo de comparar a situação, mas muitos dos meus colegas russos dizem que não é a mesma coisa: Trump está indo mais rápido.”
Jimmy Kimmel, que apresentou os prêmios de documentários, disse que, no futuro, haverá documentários sobre temas úteis e outros mostrando pessoas “experimentando sapatos e andando pela Casa Branca” – na semana passada, a imprensa americana revelou que Trump exige de sua equipe que utilize determinada marca de calçados.
Bastidores
Em outra frente, executivos envolvidos na transmissão do Oscar 2026 comentaram as decisões e os bastidores da cerimônia, incluindo as críticas ao segmento In Memoriam, participações especiais e a possível permanência de Conan O’Brien como apresentador.
Em entrevista à revista Variety, o vice-presidente executivo da Walt Disney Television, Rob Mills, afirmou que a intenção é manter O’Brien no comando da premiação. Segundo ele, a ideia de “apresentador vitalício” foi tratada de forma concreta nos bastidores, mesmo sem confirmação oficial do humorista.
Um dos pontos que geraram repercussão foi a ausência de nomes no segmento In Memoriam. De acordo com Mills, a seleção dos homenageados é uma decisão da Academy of Motion Picture Arts and Sciences, responsável pela premiação.
Ele destacou a dificuldade do processo diante do número de profissionais que morrem ao longo do ano. “É provavelmente a decisão mais difícil”, afirmou, ao comentar as críticas recorrentes ao quadro.
Entre as mudanças desta edição, os produtores destacaram o uso de conteúdos pré-gravados e a proposta visual do palco, que incorporou elementos naturais, como árvores, no cenário.
A organização também reconheceu desafios no controle do tempo dos discursos dos vencedores. A equipe avalia possíveis ajustes para as próximas edições, como limitar o número de pessoas que falam no palco ou transferir parte das falas para conteúdos digitais.
Os números musicais também passaram por adaptações. Uma das apresentações teve trechos reduzidos ainda na fase de planejamento, enquanto outras foram concebidas para criar múltiplos pontos de atenção no palco, com diferentes artistas se apresentando simultaneamente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: Jornal O Sul.
