Brittin, ex-executivo do Google, é nomeado novo diretor-geral da BBC e deve liderar reformas

 


Por Sam Tabahriti

LONDRES, 25 Mar (Reuters) - A BBC nomeou o ex-executivo do Google Matt Brittin como seu novo diretor-geral nesta quarta-feira, substituindo Tim Davie, que saiu no ano passado após uma edição enganosa de um discurso do presidente dos EUA, Donald Trump.

O presidente da BBC, Samir Shah, disse estar claro a "necessidade de uma reforma radical" na emissora, que é financiada com recursos públicos, e que ele e a diretoria acreditam que Brittin é a pessoa certa para conduzir a mudança.

"Os riscos para a BBC e o futuro do serviço público de radiodifusão nunca foram tão altos", acrescentou.

Além de uma ação judicial de US$10 bilhões movida por Trump, a BBC está enfrentando uma batalha para se manter relevante à medida que os espectadores, especialmente os mais jovens, migram para streamings e outras plataformas digitais.

Trump acusa a BBC de difamação pela forma como editou imagens de partes de um discurso que ele fez em 6 de janeiro de 2021, antes de seus apoiadores invadirem o Capitólio dos EUA.

A emissora argumentou que o processo deveria ser julgado improcedente, dizendo que a reeleição subsequente de Trump mostrou que a suposta difamação não prejudicou sua reputação.

MOMENTO DE RISCO E OPORTUNIDADE

Brittin, de 57 anos, ingressou no Google em 2007 como diretor do Reino Unido e da Irlanda antes de subir na hierarquia e se tornar presidente para Europa, Oriente Médio e África em 2014. Ele anunciou em 2024 que deixaria o cargo no ano seguinte.

"Este é um momento de risco real, mas também de oportunidade real. A BBC precisa de ritmo e energia para estar onde as histórias estão e onde o público está", disse Brittin, que assumirá a nova função a partir de 18 de maio, em um comunicado.

"Para aproveitar o alcance, a confiança e os pontos fortes criativos de hoje, enfrentar os desafios com coragem e prosperar como um serviço público adequado para o futuro. Mal posso esperar para começar esse trabalho", acrescentou.

A função de Brittin combina diretor-executivo e editor-chefe, dando a ele a responsabilidade pela liderança criativa, editorial e operacional. A BBC disse que ele nomeará um diretor-geral adjunto.

O cargo vem acompanhado de intenso escrutínio político, com a BBC sujeita a críticas de todo o espectro sobre sua imparcialidade, pressionando uma instituição que há muito é considerada um dos referenciais culturais mais confiáveis e duradouros da Reino Unido.

Brittin também terá que negociar um novo acordo de financiamento depois que o arranjo atual expirar no final de 2027. As opções incluem a manutenção da taxa de licença paga pelas famílias que assistem à TV ou a mudança para assinaturas ou financiamento de anúncios.