Cinco mudanças de hábito retardam declínio cognitivo em idosos


Uma combinação de cinco hábitos pode ajudar a retardar o declínio cognitivo em idosos com maior risco de demência, segundo um estudo realizado em 11 países da América Latina, incluindo o Brasil, e publicado na revista científica The Lancet.

O estudo Latam-Fingers acompanhou, por dois anos, 1.065 pessoas entre 60 e 77 anos. Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu orientações gerais sobre saúde e o outro participou de um programa estruturado com cinco estratégias:

• prática regular de atividade física;
• alimentação saudável;
• controle de pressão, colesterol e outros fatores cardiovasculares;
• treinamento cognitivo;
• atividades de socialização.

Ao final do período, os dois grupos apresentaram melhora na função cognitiva, mas aqueles que participaram da intervenção estruturada tiveram um desempenho 55% superior. Os benefícios foram observados especialmente na memória, atenção e funções executivas, relacionadas ao planejamento e à tomada de decisões.

A pesquisa é considerada relevante por avaliar uma estratégia de prevenção em uma população latino-americana, região historicamente pouco representada em estudos sobre demência. No Brasil, os pesquisadores adaptaram as recomendações à realidade e aos hábitos alimentares locais.

Mais de 82% dos participantes concluíram os dois anos de acompanhamento, e o grupo submetido ao programa aderiu, em média, a 72% das atividades propostas. Para os pesquisadores, os resultados indicam que a prevenção da demência pode ser incorporada à atenção primária e, futuramente, avaliada dentro do SUS.

Os participantes continuarão sendo acompanhados por mais quatro anos para verificar se os benefícios cognitivos permanecem e se os hábitos adquiridos durante o estudo são mantidos.

Fonte: Jornal O Sul