Papa fala catalão em Barcelona, em homenagem à identidade local durante sua visita à Espanha

Por Joshua McElwee

BARCELONA, 9 Jun (Reuters) - O papa Leão 14 falou em catalão, uma língua fundamental para a identidade da região, ao chegar a Barcelona nesta terça-feira para a segunda parada de uma viagem de uma semana pela Espanha, durante a qual alertou que os conflitos levaram o mundo a uma crise profunda.

Assim como em Madri, onde deu início à primeira visita de um papa à Espanha em 15 anos, Leão 14 foi recebido por grandes multidões ao chegar à catedral de Barcelona, do Século 14, para presidir uma oração ao meio-dia. Milhares de pessoas se aglomeravam contra as barreiras do lado de fora da igreja sob o sol, agitando bandeiras e gritando “Viva o papa!”.

“Estimats germans i germanes” (Queridos irmãos e irmãs), Leão iniciou sua homilia em catalão, evocando o caráter cultural e político distinto da região.

Autoridades regionais esperavam que o papa falasse na língua, amplamente utilizada em escolas, igrejas e na política local.

O catalão, cujo uso em público foi restringido durante a ditadura do general espanhol Francisco Franco, que terminou em 1975, é parte central da identidade da região, que tentou se separar da Espanha em 2017. O movimento independentista diminuiu desde então e a Catalunha é agora governada por um líder não separatista.

Na segunda-feira, quando Leão 14 chegou ao Parlamento espanhol para proferir um discurso, Miriam Nogueras, deputada do partido separatista catalão de linha dura Junts, agradeceu-lhe antecipadamente por planejar falar em catalão.

TORRE DA SAGRADA FAMÍLIA

Leão 14, que adotou um tom mais contundente contra a direção que vem sendo tomada por lideranças globais, pediu respeito pela diversidade em seu discurso no Parlamento e disse que a “grandeza moral” de qualquer país depende de como trata os imigrantes e outras populações vulneráveis.

O papa deve se encontrar ainda nesta terça-feira com o líder da Catalunha e realizar uma vigília de oração com jovens no Estádio Olímpico Lluis Companys.

O ponto alto da visita do papa a Barcelona será na quarta-feira, quando ele visitará uma abadia na vizinha Montserrat e inaugurará a mais nova torre da Sagrada Família, a basílica modernista que se tornou a igreja mais alta do mundo.

A visita à basílica também celebra o legado de seu arquiteto, Antoni Gaudí, cujos projetos foram ridicularizados em vida, mas agora são elogiados. Católico fervoroso que faleceu em 10 de junho de 1926, ele está no caminho para a canonização.

O papa, que se reuniu na segunda-feira com seis vítimas de abuso sexual cometido por membros do clero espanhol, tem sido criticado por alguns sobreviventes de abuso por seus planos de visitar a abadia em Montserrat.

Um relatório de 2023 do ouvidor de direitos humanos da Espanha estimou que centenas de milhares de vítimas foram abusadas pelo clero espanhol ao longo de décadas. Em 2019, o abade de Montserrat pediu desculpas publicamente às vítimas de abuso sexual na escola da abadia.

A visita de Leão 14 à Espanha culminará na sexta-feira nas Ilhas Canárias, um arquipélago espanhol ao largo da costa oeste da África, onde o papa se reunirá com cerca de 1.000 imigrantes que cruzaram as perigosas águas do Atlântico em pequenos botes para chegar à Europa.

Em seu discurso ao Parlamento na segunda-feira, o papa disse que a falta de ajuda aos imigrantes do mundo está desafiando “os fundamentos éticos da ordem internacional”.

(Reportagem de Joshua McElwee; Reportagem adicional de Joan Faus)