China pede que EUA e Israel parem com ações militares no Oriente Médio e alerta sobre "círculo vicioso"




Por Xiuhao Chen e Liz Lee

PEQUIM, 23 Mar (Reuters) - A China pediu na segunda-feira a todas as partes envolvidas no conflito do Oriente Médio, especialmente EUA e Israel, que cessem as operações militares, alertando sobre um "círculo vicioso" em uma guerra que, segundo analistas, se for prolongada, pode prejudicar o crescimento global e enfraquecer a demanda por exportações chinesas.

"Aquele que amarrou o sino deve ser o único a desamarrá-lo", disse o enviado especial chinês para o Oriente Médio, Zhai Jun, após viagem de diplomacia que incluiu paradas na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes Unidos e no Kuweit.

Em uma entrevista separada, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, advertiu que o uso da força só levaria a um "cículo vicioso" e que a guerra não deveria ter sido iniciada.

"Se as hostilidades continuarem a se espalhar e se intensificar, toda a região mergulhará no caos", disse ele.

LIÇÕES DA HISTÓRIA

"As lições do passado não estão muito atrás de nós", afirmou o Ministério das Relações Exteriores da China na segunda-feira, em uma resposta à Reuters que buscava comentários sobre o aniversário da Guerra do Iraque na semana passada.

"A guerra de 23 anos atrás trouxe profundo sofrimento para o povo iraquiano e teve um sério impacto no Oriente Médio", disse o comunicado.

A última sexta-feira marcou o 23º aniversário da Guerra do Iraque, na qual as forças lideradas pelos Estados Unidos invadiram o país para expulsar Saddam Hussein, em parte com base em alegações de que seu governo possuía armas de destruição em massa.

Embora o regime tenha caído rapidamente, o Iraque mergulhou em anos de caos e instabilidade, em uma guerra que, segundo estimativas, matou mais de 100.000 pessoas, custou trilhões de dólares aos EUA e criou um vácuo de poder que viu o surgimento do grupo terrorista Estado Islâmico.

"A guerra no Irã, 23 anos depois, causou graves perdas ao povo iraniano, e as repercussões e a disseminação do conflito também afetaram toda a região", disse o ministério.